domingo, 30 de julho de 2017

HOMENAGEM A Pe. REGINALDO VELOSO

OS QUE LUTAM Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons; Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons; Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda; Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.- Bertolt Brecht 
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sexta-feira, 28 de abril de 2017

Carta Contra Assédio Político

Nenhum texto alternativo automático disponível.
MOVIMENTO DE TRABALHADORES CRISTÃOS – MTC NE II
Rua Gevário Pires, 404 Boa Vista, Recife-PE
Fone: 81. 3222-0241 / email: recifemtc@gmail.com 

 
Caros Companheiros e companheiras,

O Movimento de Trabalhadores Cristãos (MTC PE) vem a público denunciar um “assédio político” sofrido.
 No dia 27.04.17 (quinta-feira), por volta das 16h, duas pessoas de nome Simone e Roberto, que se identificaram como supostos funcionários do Ministério Público de Pernambuco – MPPE (da rua Gervásio Pires, Boa Vista/Recife), vieram à sede deste movimento, sem mandado judicial, alegando que há uma denúncia em aberto sendo investigada pelo MPPE, na qual há a alegação de que algumas entidades teriam recebidos proventos de políticos entre os anos de 1997/98. A Ação Católica Operária - ACO (como era conhecida na época), hoje MTC, supostamente estaria entre estas entidades. 
Conforme os supostos funcionários, a ação judicial está correndo na 9ª e na 10º Promotoria de Justiça e Fundações, sob a tutela do promotor de justiça Dr. Ulisses de
Araújo Sá e Júnior que, segundo Simone e Roberto, “pediu” que as entidades registradas no processo fossem visitadas para averiguação, posto que algumas entidades eram fantasmas. Vale notar que, de acordo com esses dois funcionários, a investigação está sendo feita contra os políticos que teriam usado os nomes destas entidades sem autorização para emitir notas frias para desviar verbas políticas. 
Feito esta apresentação e exposição de cunho aparentemente jurídico, os dois agentes (Simone e Roberto) começaram a fazer perguntas que destoam completamente do assunto abordado inicialmente e suposto propósito da “visita”. Segue abaixo algumas perguntas feitas por eles: 
   O movimento pertence a igreja católica? 
   Como o movimento funciona? O que defende? Como atua? 
   Como o movimento conseguiu a casa (sede)? 
   Há empregados no movimento? 
   Quantas pessoas há no movimento? 
   Com que periodicidade se reúnem? 
   Qualquer trabalhador pode fazer parte do movimento?
   Se um trabalhador defender Temer numa reunião o que vocês responderiam?
   Qual o posicionamento do movimento em relação às reformas promovidas pelo governo e quais ações o movimento está realizando? 
   Como o movimento faz para convencer alguém de que as reformas NÃO são boas para a classe trabalhadora? 
Por fim, os dois supostos funcionários pediram para ver as instalações físicas da nossa sede. 
Diante das claras contradições de interesses entra o motivo alegado para a visita e o decorrer dos diálogos entre os supostos funcionários do MPPE e os militantes do MTC que os receberam, acreditamos que esta foi uma evidente tentativa de cerco político ao nosso movimento, provavelmente com o intuito cerceamento de nossa prática política. Nós do MTC, contudo, não iremos nos intimidar diante das ameaças ao nosso movimento e à Classe Trabalhadora. Nossa história de luta vem desde 1962. Já enfrentamos todas as agruras do Golpe da Ditadura Militar Brasileira, em 1964, e iremos enfrentar as agruras do Golpe que está em curso atualmente no nosso país desde 2016. Nossos pés caminham pelos ensinamentos de Cristo, que nos ensina a manter os olhos e o espírito centrados na luta contras as injustiças sociais que tanto oprimem a Classe Trabalhadora. 
Seguiremos firmes e pedimos que os movimentos sociais e populares que caminham conosco (e outros em geral) fortifiquem ainda mais nossa união e tomem mais cuidados, pois essa pode ser uma forte evidência de Estado de Exceção.  E vamos à Luta!       


sábado, 11 de fevereiro de 2017

CONVOCATÓRIA

Frente Brasil Popular

Frente Brasil Popular convoca a  luta contra a reforma da previdência como objetivo prioritario das próximas mobilizações.

Estão sendo organizadas manifestações no maior numero possivel de municipios de todo Brasil,  algumas capitais e Brasilia, numa jornada nacional durante todo mes de março, contra a reforma da previdencia, por nenhum direito a menos, e pelo retono à democracia, com a convocação das DIRETAS JA,  para todos os cargos.
Ajude a organizar, divulgue e motive seus espaços para fazerem atividades de protestos.

 



Dia 08, Dia Internacional da Mulher , dia 15 de março – Dia Nacional de Luta contra a Reforma da Previdência  e 31 de março, aniversario do golpe militar de 1964, são três datas fundamentais para a mobilização contra a retirada de direitos, proposta pelo governo ilegítimo de Michel Temer e em defesa da democracia.

domingo, 1 de janeiro de 2017

MENSAGEM DE ANO NOVO



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Prá começo de ANO NOVO, 
reflitamos sobre Lucas 2, 16-21... 
Como seria bom começar um ano novo 
com a pressa dos pastores, 
correndo atrás da Salvação 
anunciada pelos anjos...  

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             Seremos capazes de decifrar, no Mistério da Criança deitada em cima de uma cocheira, porque tudo lhe foi negado, desde nascença?...
No silêncio de José e na meditação de Maria, o convite a um momento de reflexão... de atenção aos “sinais dos tempos”...
E a Criança, filho deles, se torna, de repente, o sinal mais eloquente da solidariedade de Deus com os últimos da terra!...
De todas as pessoas que, por estes dias, têm passado pelos presépios das igrejas ou os têm armado em suas casas, quem terá feito esta leitura do Mistério?... Quem terá entendido o recado do Céu?...

E no oitavo dia do seu nascimento o Menino receberá o nome de JESUS!
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Quer dizer que, na Pessoa de Jesus, Deus vem a nosso encontro para nos salvar, nos libertar, primeiramente, do mal aninhado em nossos corações, da tara da desobediência a seus mandamentos, da busca individualista de nossos interesses egoístas... “Eis o pecado do mundo!”.
Toda outra mudança só terá consistência, se começar por aqui, por dentro de cada um, de cada uma de nós... Sem essa transformação interior de cada pessoa, todo projeto de mudança social acaba indo “pro brejo”...
Já temos bastante experiência disso.  
                 
A imagem pode conter: 1 pessoa, óculos, óculos de sol e terno E faz bem lembrar aqui o que dizia o primeiro presidente socialista de Angola, Agostinho Neto: “Não basta que seja pura e justa a nossa causa. É necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós”. Com esse sonho, com esses anseios, desejemo-nos uns aos outros e outras: FELIZ ANO NOVO!
E que a Mãe do Senhor rogue por nós, e nos seja inspiração na busca ardente de servir ao projeto divino de LIBERTAÇÃO!
Feliz Ano Novo! 


 Reginaldo Veloso e MTC - Movimento de Trabalhadores Cristãos NE II

domingo, 25 de dezembro de 2016

MENSAGEM DE NATAL 2016

 No ano em que a gente branca e xenófoba dos Estados Unidos elege TRUMP para comandar o Império...
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No ano em que  seu vassalo,  o homem do “golpe”, TEMER,
negocia com os picaretas do Congresso a PEC da Morte
e outras ameaças à Saúde, à Educação, à Seguridade Social,
em suma, à sobrevivência da Classe Trabalhadora
e dos empobrecidos deste país...

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Estudantes ocupam escolas e universidades,
uma juventude surpreendentemente madura e determinada,
a dar lições a quem as desaprendera,
a recordar a História a quem a esquecera,
a não permitir que o Ensino volte a emburrecê-los e encabrestá-los,
nem se fechem os espaços conquistados...
Trabalhadores e Trabalhadoras,
gente sem trabalho, sem terra e sem teto,
saem às ruas, clamam nas praças, gritam no deserto,
preparando caminhos,
abaixando montes de opressão,
aterrando vales de humilhação,
e fazendo valer o sonho da Terra Prometida, onde corre o leite da justiça e o mel da paz: no mínimo,

Resultado de imagem para imagens de trabalhadores nas ruas contra a pec da morteNENHUM DIREITO A MENOS!    










Apesar do Império
e de seus vassalos...
Apesar da indiferença dos belemitas de sempre...
Apesar das investidas dos Herodes de plantão...
A Criança vai nascer, o Reino vai chegar, Natal vai acontecer,
e uma Estrela, que ninguém vai poder apagar, anuncia um novo tempo para um Ano Novo!A imagem pode conter: desenho
E o Movimento de Trabalhadores Cristãos – MTC NE II lhes deseja tudo isso:
FELIZ NATAL/2016 FELIZ ANO NOVO/2017!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Papa Francisco, um homem de muita coragem! João Pedro Stedile

Encontros entre o Papa Francisco e movimentos populares tiveram início em 2013 - Créditos: DivulgaçãoEstive recentemente no 3° Encontro Mundial de Movimentos Populares em Diálogo com o Papa Francisco, realizado no Vaticano de 2 a 5 de novembro. Participaram mais de 200 delegados de 60 países, representando movimentos inseridos nas lutas sociais de três áreas: trabalho, terra e teto. Do Brasil, estávamos em oito delegados escolhidos pelos movimentos populares dessas áreas.
O encontro se insere em um processo permanente de debate, que iniciamos em 2013, do qual resultou o  primeiro encontro no Vaticano, em outubro de 2014, depois um segundo mais massivo e latino-americano, quando reunimos mais de 5 mil militantes populares em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia. E, agora, o terceiro encontro, de novo no Vaticano.
Esse processo de debates e diálogos entre o Papa Francisco e os movimentos populares partiu de uma vontade política do pontífice, de dialogar e dar protagonismo aos movimentos populares em todo mundo, como estímulo à organização dos trabalhadores e dos mais pobres, como esperança e necessidade para as mudanças necessárias no sistema capitalista.
Por isso, os delegados são escolhidos entre os dirigentes de movimentos populares, de todos os continentes, com a maior pluralidade possível, considerando etnias, religiões, idade, culturas e equidade de gênero. Ele pediu que se evitasse levar agentes de pastorais da Igreja Católica, pois eles teriam outros espaços. Mas sempre participam também desse processo de diálogo, representantes do Vaticano, em especial da Pontifícia Comissão de Justiça e Paz, e alguns bispos e cardeais, que tenham vínculos reais com os movimentos populares em suas regiões.
No primeiro encontro, a base do diálogo foi o debate sobre a realidade e a causa dos problemas que vivem os trabalhadores nas três esferas da luta social. Foi apresentado um amplo diagnóstico e reflexões sobre as saídas necessárias. Usando sempre o método ver-julgar-agir. O Papa Francisco construiu um documento, que, na essência, se resumiu na defesa de um programa de que não deveríamos ter mais: “Nenhum camponês sem terra; nenhum trabalhador sem direitos; e nenhuma família sem moradia digna!”.
Entre o primeiro e o segundo encontro, seguiu-se um diálogo em torno dos problemas ambientais, dos agrotóxicos, das sementes transgênicas, em que o Papa consultou muitos especialistas, teólogos, bispos e movimentos que atuam nessa área. E o resultado foi uma esplêndida encíclica: “Louvado seja!”, na qual o Papa sistematiza reflexões, analisa as causas dos problemas ambientais e propõe soluções. O texto é a mais profunda e rica contribuição teórica e programática sobre o tema produzida em todos os tempos. Uma contribuição que nem mesmo a tradição teórica de esquerda havia produzido.
Depois, no segundo encontro da  Bolívia, com presença marcante de afro-descendentes, povos indígenas e povos com conflitos em seus territórios, como o povo curdo, avançou-se para o direito ao território. O Papa  inseriu em suas reflexões o conceito de que todo o povo tem o direito a soberania popular sobre  o seu território. E avançou-se também na concepção de que os bens da natureza que existem nesses territórios devem ser aproveitados em beneficio de todo povo, ou seja, trata-se de um bem comum e não apenas um recurso a ser transformado em mercadoria e renda extraordinária, como querem as empresas capitalistas que exploram os bens da natureza, como os minérios, petróleo, água e biodiversidade.
Agora, no terceiro encontro, estava na pauta dos debates, novos temas  relacionados com os graves dilemas que a sociedade moderna está enfrentando em todo o mundo. O primeiro tema foi a questão do Estado e da democracia. Tivemos aqui a participação também do ex-presidente Pepe Mujica, do Uruguai, e de outros  dirigentes políticos progressistas que enviaram reflexões. Há uma crítica generalizada em todo mundo que a forma de funcionar do Estado burguês não representa mais as bases republicanas dos interesses da maioria. Porque a democracia representativa, formal, burguesa não consegue mais expressar apenas pelo voto, o direito e a vontade da maioria da população. O capital sequestrou a democracia pela forma de organizar as eleições.
E sobre esse tema, o Papa reagiu e foi contundente que assombrou a todos, quando definiu que, na realidade, existe um Estado mais que excludente, um estado terrorista, que usa do dinheiro e do medo, para manipular a vontade das maiorias. O dinheiro expressa a força do capital que sobrepassa as instituições democráticas e o medo, imposto à população pela manipulação midiática permanente.
Entre todos participantes, ficou a certeza de que precisamos aprofundar o debate em nossos países, para construir novas formas de participação política do povo que, de fato, garanta o direito do povo participar do poder político em todos os espaços da vida social. E ninguém tem uma receita, uma fórmula, depende da construção real na luta de classes de cada país. A realidade é que esses processos eleitorais atuais não são democráticos e nem permitem a realização da vontade do povo.
Um  outro  tema debatido, que representou avanços em relação aos encontros anteriores, foi o tema dos migrantes econômicos e dos refugiados políticos. A Europa vive uma verdadeira tragédia com os refugiados do Oriente médio e da África. Milhões, repito milhões, de pessoas estão migrando todos os dias, de todas as formas, de barco, caminhando quilômetros e quilômetros para  fugir da morte rumo à Europa e lá encontram mais  exclusão e xenofobia, sendo que eles apenas estão lá, porque as empresas européias são as principais fornecedoras de armas para a Arábia Saudita e governos repressores da região.
Nesse sentido, a reflexão dos movimentos seguiu na linha do direito a um território e da luta contra a xenofobia. Do direito à autodeterminação dos povos e contra as guerras. As guerras não resolvem nenhum conflito social e apenas criam mais problemas sociais, além de ceifar a vida de milhares de pessoas, em geral os mais pobres e trabalhadores. Todos os seres humanos são iguais, na sua natureza e nos seus direitos. Aqui, emergiu a ideia de que devemos incorporar em todos nossos programas a proposta da  igualdade. A igualdade de oportunidades, de direitos e deveres, é a única base de uma sociedade realmente democrática.
E, nesse tema, o Papa Francisco revelou toda a sua coragem, ao denunciar que, quando um banco vai a falência, logo surgem bilhões de euros para salvar seus acionistas. Porém, quando um povo esta em dificuldade e migra, nunca há recursos públicos para ajudá-los e encontra-se todo tipo de desculpas possíveis. O Papa denunciou o sistema capitalista como autor dessa tragédia humana, contemporânea que estamos vivendo, de exclusão, de superexploração dos migrantes e dos refugiados, não só na Europa, mas em diversas regiões do mundo, onde os países ditos ricos se protegem dos pobres e migrantes, praticando ainda mais exclusão. Nunca se ergueram tantos muros de exclusão, em tantos países, como agora.
Como  vêem, os debates foram muito interessantes.  E devem seguir, por muito tempo ainda, graças à abertura e à generosidade do Papa Francisco. Todos os documentos na íntegra e os discursos do Papa podem ser encontrados aqui.
De nossa parte, da delegação brasileira, levamos uma faixa com "Fora Temer", em plena praça da Basílica de São Pedro, denunciando o golpe por aqui e saímos convencidos de que, além de São Francisco de Assis, agora temos mais um Francisco revolucionário na Igreja.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Nota de Apoio às Ocupações Estudantis


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 Finalizada as eleições municipais, o cenário político atual do país mostra um aprofundamento da crise de representatividade política. Nunca uma eleição no Brasil atingiu índices tão altos de votos inválidos (brancos, nulos e abstenções). Contudo, isto não se expressa no campo institucional, pois mesmo nos lugares em que a soma dos votos inválidos superaram os votos válidos alguém foi eleito para gerir as políticas públicas que pautarão nossas vidas.  Isto é, na atual estrutura político-eleitoral não há espaço para a repercussão das insatisfações do/a eleitor/a. No cenário político, isso revela a necessidade de uma reforma estrutural do sistema político. Porém, no cenário institucional vigente, infelizmente, isso abriu grandes brechas para que setores alinhados aos campos conservadores, reacionários e fundamentalistas ganhassem espaço na política – reflexo também de um pleito eleitoral completamente corrompido pelos interesses do poder econômico em prejuízo dos direitos sociais. Soma-se isto à configuração política nacional que caminha, a passos largos, em direção a um cenário socialmente trágico. O ajuste econômico, imposto pelo governo golpista de Temer, se estabelece como pena de morte sob os direitos sociais duramente conquistados. A população que há pouco tempo gritava por uma saúde e uma educação “Padrão Fifa” assiste à tramitação, em ritmo acelerado, da PEC 55 (na Câmara, PEC 241) que afetará drasticamente os investimentos em educação e saúde nos próximos 20 anos. Além da proposta da Reforma do Ensino Médio (MP 746) e Lei da Mordaça (Escola sem Partido) que provocarão grande prejuízo nos conteúdos e no pensamento crítico do ambiente escolar. E também os cortes de verbas das universidades federais que começaram no governo anterior e que agora foram acentuados, podendo chegar a 45% em 2017, forçando o corte de vagas nas universidades e ameaçando o desenvolvimento acadêmico e científico do país.  Sem falar na reforma Trabalhista, na Terceirização e na reforma da Previdência Social que acabarão com a seguridade da classe trabalhadora.    Diante disso tudo, percebemos que a histórica desigualdade de classes no Brasil fica ainda mais escancarada perante a “Conta da Crise” depositada sob responsabilidade da população mais pobre do país, enquanto os privilégios dos ricos são mantidos.  Contudo, sabe-se que a riqueza de qualquer nação é construída pelas mãos da classe trabalhadora; então, cabe a pergunta a você trabalhador/a: qual é o sentido de produzir tal riqueza se não pode desfrutar dela?    Portanto, precisamos dar um novo significado à história, para que a classe trabalhadora não saia só perdendo direitos, mas, pelo contrário, mantendo as conquistas históricas e garantindo o avanço para novas conquistas. Assim, precisamos voltar toda nossa atenção e todas as nossas forças para a principal forma de intervenção política que a Classe Trabalhadora pode realizar: ações como greves de setores produtivos estratégicos, greves gerais e ocupações. Por isso, o Movimento de Trabalhadores Cristãos – MTC-PE apoia as ocupações estudantis secundaristas e universitárias que acontecem em todo o país e a elas se une.  Entendemos que o movimento estudantil é parte significativa da classe trabalhadora, por se tratar de filhas e filhos de trabalhadores e trabalhadoras que, por sua vez, estão em formação para o mercado de trabalho.  Sigamos todos e todas nós da classe trabalhadora o exemplo de força, luta e resistência da juventude estudantil que está lutando para garantir um Estado democrático e os direitos constitucionais. E vamos à luta.  

               Coordenação do MTC Nordeste II

sábado, 5 de novembro de 2016

O MST não é organização criminosa


"Muito pelo contrário, é um movimento que luta pela democratização do acesso a terra, o que deve ser considerado elogiável e salutar para a ordem democrática e constitucional do nosso país"

Por Cezar Britto* e Paulo Freire**
Da Página do MST

 
São Paulo, 04 de novembro de 2016

Em tempo de criminalização dos movimentos sociais ou daqueles que contestam o sistema patrimonialista brasileiro, muito se discute sobre a legalidade do MST e de outras organizações que lutam para fazer real a promessa constitucional de Reforma Agrária. Este debate ganhou maior volume após a recente decisão do STJ, notadamente em razão do julgamento do HC nº 371.135, por sua Sexta Turma, em 18 de outubro de 2016. É que apressadas interpretações, centradas em vícios ideológicos e preconceituosos, cuidaram de divulgar versões destoantes dos fatos e das manifestações postas em julgamento.

O MST não estava sob julgamento, tampouco se mencionou que ele simbolizava uma organização criminosa ou mesmo geradora de atividade ilícita. Ao contrário, todos os ministros do STJ presentes naquela histórica sessão ressaltaram que lutar, organizadamente ou não, pela Reforma Agrária, não é crime. E não poderia ser diferente, pois o Brasil abraçou em sua linha fundante e fundamental o Estado Democrático de Direito.

O que se discutia no apontado HC era a manutenção ou não dos decretos de prisões preventivas, expedidos pelo juízo de Santa Helena-GO e confirmados pelo Tribunal de Justiça de Goiás em desfavor de quatro militantes do MST. Julgava-se, em outras palavras, se os apontados pacientes, em liberdade, trariam risco à ordem pública, à instrução processual ou à aplicação da lei penal (art. 312 do CPP). Não se estava em jogo, ali, a condenação ou não destas pessoas no tipo penal de organização criminosa (Lei 12.850/13).

Embora ainda caiba recurso da decisão, registre-se que a Sexta Turma entendeu que deveria decretar a liberdade de um deles e manter o decreto de prisão preventiva para os outros três, por entenderem estarem presentes os requisitos autorizadores da prisão preventiva. Durante o julgamento, repete-se, também por unanimidade, todos afirmaram, apesar de ponderarem que isso não era objeto do litígio judicial, que o MST não é organização criminosa e, logo, ser integrante deste movimento não significa ser membro do crime organizado. Muito pelo contrário, é um movimento que luta pela democratização do acesso a terra, o que deve ser considerado elogiável e salutar para a ordem democrática e constitucional do nosso país.

Trata-se de uma vitória parcial, pois ainda restam três decretos de prisão em vigor, mas ainda sim uma grande vitória, pois foi reconhecido judicialmente que a liberdade de um militante da reforma agrária não acarretará em prejuízo à ordem pública, à instrução criminal ou mesmo para aplicação da lei penal.

Dito de outra maneira, todos os cidadãos brasileiros têm o direito de organização e de reunião, inclusive para lutar pela Reforma Agrária ou para que todas as propriedades do país cumpram sua função social, considerada um dos princípios gerais da atividade econômica brasileira. De modo que, não resta dúvida, que a organização de trabalhadores e trabalhadoras sem terra para lutarem por Reforma Agrária encontra amparo no texto constitucional. Reúnem-se e organizam-se na busca de efetivação de direitos constitucionais, e não para cometerem crimes, como querem afirmar alguns setores do agronegócio e dos meios de comunicação.

Há, no Brasil, 130 mil grandes propriedades rurais, que concentram 47,23% de toda área cadastrada no INCRA. Já os 3,75 milhões de pequenas propriedades equivalem, somados, a 10,2% da área total registrada. Junte-se a isso, segundo dados do Atlas da Terra Brasil (CNPq/USP) de 2015, a existência de 175,9 milhões de hectares improdutivos no Brasil, e teremos uma das situações agrárias mais destoantes e extravagantes do mundo. Uma realidade fundiária extremamente concentrada e onde predomina os grandes imóveis rurais improdutivos e, portanto, que não cumprem sua função social.

Uma leitura sistemática e que leve em conta a totalidade do espírito constitucional celebrado em 1988, já seria o suficiente para caracterizar o MST e outros que lutam para implantar a Reforma Agrária como fundamentais para a concretização do Estado Democrático de Direito no Brasil.

Exige-se, cada vez mais, dos trabalhadores e das trabalhadoras rurais sem terra que exerçam seus direitos e garantias coletivas de se organizarem e se reunirem para alterar essa estrutura extremamente desigual do campo brasileiro e também que lhes permitam concretizar um projeto agrário que garanta a toda população brasileira uma alimentação saudável e um meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida desta e das futuras gerações (art. 225 da CRFB/88).

*Cezar Britto é advogado, e Ex-Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (2007/2009), gestão marcada pelo reestabelecimento da memória e verdade sobre a ditadura civil-militar no Brasil.

**Paulo Freire é advogado e defende os movimentos populares no Brasil.   



 Nós do MTC apoiamos estes e outros movimentos que lutam por justiça e por um outro mundo possível,dentro dos princípios legais e constitucionais e dos princípios contidos na mensagem de Jesus Cristo.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

III ° ENCONTRO MUNDIAL DOS MOVIMENTOS POPULARES - 2-5 novembro 2016

Com a participação de 170 delegadas e delegados de 65 países, movimentos populares em que se organizam trabalhadoras e os trabalhadores da economia popular, do campo e diversos setores que representam os excluídos da sociedade; convidado pelo Papa Francisco, começa a partir desta quarta-feira, 2 novembro ate Sábado, 5, o III Encontro Mundial dos Movimentos Populares no Vaticano.
Nos quatro dias do Encontro, serão debatidos os diferentes eixos que historicamente vem marcando o evento e representam preocupações latentes tanto para os movimentos populares como para o Papa Francisco: Terra, Teto e Trabalho
Neste Encontro se abrirão novas discussões, ampliando as perspectivas de análise e trabalho sobre Povos e Democracia, Território e Natureza e Refugiados e Desalojados do mundo, com o objetivo de ter novas ferramentas, reforçadas pela visão própria dos protagonistas destes problemas.
Segundo Juan Grabois, da Comissão Organizadora EMMP, “há um grande número de organizações que estão integradas e organizadas pelos excluídos e que não estão resignados a miséria imposta a eles e resistem com solidariedade ao paradigma tecnocrático atual. O diálogo entre nós e a igreja tem o objetivo de acompanhar, incentivar e visibilizar esses processos que surgem das bases populares. “
Em função dos eixos que estruturam o Encontro diz: “3-T continuam a ser o coração dos nossos Encontros; direitos estão sendo violados por um sistema injusto que deixa milhões de camponeses sem terra, famílias desabrigadas e trabalhadores sem direitos. Por isso os principais protagonistas de nossos Encontros são os três principais setores sociais mencionados, marginalizados do campo e da cidade. “
O Painel de Abertura acontecera o dia 2 de Novembro as 14:00hs pelo Comité de Organização; Card. Peter Turkson, Consejo Pontificio de Justicia y Paz – Vaticano; João Pedro Stédile, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) – La Vía Campesina – Brasil; Juan Grabois, Movimiento de Trabajadores Excluidos (MTE) – Confederación de Trabajadores de la Economía Popular (CTEP) – Argentina; Jockin Arputham, National Slum Dwellers Federation of India – Slum Dwellers International (SDI) – India; Xaro Castelló, Hermandad Obrera de Acción Católico (HOAC) – Movimiento Mundial de Trabajadores Cristianos (MMTC) – España. O intercâmbio das delegações participantes será concluído no dia 5 de novembro quando, em diálogo com o Papa Francisco, se apresentará o documento final com as propostas do Encontro.

 publicado por:REVISTA IHU