quinta-feira, 12 de março de 2015

O Brasil e as marchas de março


Ouvi de um amigo agora pela manhã, falando sobre a marcha do dia 15, chamada pela direita brasileira: "Eu já não sei mais o que é esquerda, o que é direita". Eis aí um grande nó para a compreensão da realidade. Acreditar que não há mais diferenças na forma de pensar e agir sobre o mundo é cair numa armadilha de alienação. Sempre foram muito claros os conceitos de direita e esquerda. Ser de direita é apostar na conservação dos privilégios de poucos, é a postura da maioria dos mais ricos, por exemplo. Eles querem seguir controlando as riquezas do país, para delas tirarem proveito, querem dominar o espaço político, querem manter os mais pobres sob controle. Já ser de esquerda é lutar contra isso, garantindo participação para todos, direitos respeitados, o fim da opressão.

Pode parecer meio simplista explicar as coisas assim, mas de fato a coisa é mesmo simples. A sociedade está dividida em classes sociais. Uma, controla a produção e a outra vende seus serviços. Uma domina, outra é explorada. E é justamente sobre a exploração de uma classe que a outra garante seus lucros e sua vida boa. No meio desse processo as pessoas vivem uma sistemática batalha. Os que são explorados querem uma vida melhor, e os que exploram procuram não permitir que isso ocorra. Quando muito abrem mão de coisas pequenas, quando a luta se acirra, apenas para tentar acomodar as coisas. Mas, no fundo, segue apostando na manutenção dos privilégios.

A confusão sobre o que é ser esquerda e direita, em parte, foi provocada pelo próprio Partido dos Trabalhadores, hoje no poder político. Forjando toda a sua construção em pautas da esquerda, o partido chegou ao governo e passou a ceder passo aos velhos grupos da tradicional direita. Tudo isso dentro da chamada tentativa de governabilidade. Dilma, por exemplo, agora , nesse segundo mandato chegou ao cúmulo de entregar setores estratégicos como as finanças, a agricultura e a educação para figuras carimbadas da direita nacional. Difícil então não ficar confuso.

O fato é que esses malabarismo de governabilidade só alimentam o monstro. A elite brasileira é insaciável. Não lhe basta ter os setores estratégicos na mão. Ela quer tudo. Então, engordados pelo próprio governo, os velhos grupos de poder vão se fortalecendo, chegando ao ponto de pedirem o impedimento e a renúncia da presidente. As razões para isso - aparentemente - são as irregularidades na Petrobras. Argumentos bastante pueris e insustentáveis. Mas, apesar da fragilidade da consigna, esses grupos tem conseguido aglutinar pessoas que, mesmo no grupo dos explorados, por algum motivo "compram" a proposta da direita. Temos visto gente gritando pela volta do regime militar, argumentando que será só para tirar a Dilma, "depois eles entregam o país". Para quem? Ah, bom, isso não importa. Há uma completa falta de compreensão histórica. Os tenebrosos anos de regime militar, que tantos horrores causaram nos mais variados países latino-americanos parecem ter sido apagados da memória. Existe uma juventude que tampouco tem noção do que está dizendo quando chama a intervenção militar. É uma ingenuidade muito bem aproveitada pelos marqueteiros do golpe.

Agora, os movimentos sociais, cuja maioria estava adormecida e domesticada,começam, lentamente, a perceber que há uma grande batalha em curso. E procuram uma reação. Por isso estão chamando uma marcha para o dia 13, dois dias antes da marcha da direita. E, assim, o Brasil vai  realizar um exercício de manobras nas ruas, expressando claramente os interesses em jogo.

Na marcha do dia 13 estão os sindicatos de luta, os movimentos populares, as entidades de direitos humanos e civis. Estará a esquerda crítica e estarão também os que apoiam Dilma. Porque a pauta da marcha do dia 13 é uma pauta dos trabalhadores. As gentes marcharão em defesa da Petrobras, por reforma agrária, por demarcação de terras indígenas, pela democratização da mídia, pelo combate à corrupção. Será uma mobilização da esquerda, com propostas que visam a melhoria da vida de todos os brasileiros, especialmente dos empobrecidos e dos que têm apenas a sua força de trabalho para vender.

Já  a marcha do dia 15 é a marcha do golpe, da direita organizada e dos que, mesmo explorados, são seduzidos por um canto de sereia que promete mudanças. Mas, a mudança prometida é da manutenção dos privilégios e dos mesmos velhos grupos de poder. Sem matizes. Participar disso é apoiar o atraso.

Mas, para muitos, a marcha do dia 15 é unicamente o libelo contra a Dilma. Ora, eu também estou contra as políticas implementadas pelo governo Dilma. Mas isso não significa que, por conta disso, vou me aliar ao que há de mais nefasto nesse país. Como bem diz o professor Nildo Ouriques, o projeto petista esgotou. O que igualmente não significa que no seu lugar tenha que ser colocado o outro velho projeto - da direita - que também esgotou. Ou será que as pessoas não se lembram do que FHC causou ao país nos seus dois mandatos? Se hoje, o governo petista se assemelha àquele, qual é a saída? Constituir o novo! Rearticular as forças, combinar projetos de transformação, avançar, ir para frente.

Assim que não é necessário viver em confusão. Os clássicos elementos que diferenciam a direita e esquerda seguem vigentes. Pode-se dar outro nome para isso que alguns insistem em negar, mas o fato é que tudo é muito simples. Ou estamos caminhando junto com os trabalhadores, os explorados, os empobrecidos, ou estamos de mãos dadas com os poderosos, os exploradores, os que sangram a maioria em nome de seus interesses pessoais. Simples assim.

Por isso que nessas horas de acirramento da luta de classes não há espaço para vacilação. Temos de estar com os trabalhadores, ainda que alguns deles sigam tendo ilusões com o governo petista.   
 
Fonte: Palavras Insurgentes

domingo, 8 de março de 2015

RESPEITO É QUE SE DEVE

                                  MENSAGEM DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

08 DE MARÇO
Mulheres, mães, amigas, irmãs, companheiras. Madrinhas, comadres, tias, avós. Mulheres, cozinheiras, doceiras, lavandeiras, babás, professoras, enfermeiras. Mulheres presentes a vida inteira, toda a vida. Mulheres que participam e mudam situações. O mundo todo está repleto da sinergia das mulheres e somente elas/nós transformaremos a realidade e teceremos novos caminhos de fraternidade, mesmo que a situação da mulher no Mundo é ainda no mínimo constrangedora 2/3 das pessoas analfabetas no mundo são mulheres; Nós mulheres constituímos 60% da força de trabalho do planeta, mas não ganhamos mais que 10% da renda mundial; Só temos 1% da terra enquanto proprietárias e; A violência doméstica é a principal causa da morte de mulheres entre 14 e 44 anos no mundo.
E no Brasil a situação não é diferente, a cultura machista se encarrega de neutralizar as poucas mulheres que chegam a algum posto. A sociedade patriarcal tem tentado nos conformar dizendo que nosso poder é diferente: atrás de um grande homem tem sempre uma grande mulher; as mulheres puxam as rédeas por trás dos bastidores, a verdade é que:
Ø  A remuneração de nós mulheres comparada a de homens com a mesma jornada de trabalho é 33% menor;
Ø  Somos a maior presença de desempregadas com curso superior em nosso país;
Ø  Ainda somos a maioria a cuidar das tarefas domésticas solitariamente fato que tem nos conferido historicamente uma tripla jornada de trabalho

MULHERES CONSTRUTORAS DE NOVAS REALIDADES
Na nossa sociedade ainda patriarcal as mulheres, embora discriminadas, vão à luta, constroem novas realidades e fazem a diferença. Sofrem a discriminação social, opressão, pressão familiar, são maltratadas, mas persistem na luta por um mundo onde todas tenham vez e voz, onde todos tenham vida digna.
Mulheres, mães, amigas, irmãs, companheiras. Madrinhas, comadres, tias, avós. Mulheres cozinheiras, doceiras, lavadeiras, babás, professoras, enfermeiras. Mulheres presentes a vida inteira junto a parentes e amigos, que se doam toda a vida. Mulheres que participam e mudam situações.
Neste mundo moderno, de gente apressada, de desatenção, de violência, as mulheres conseguem criar um círculo de aconchego e segurança para sua família pelo menos dentro de suas casas. Mas não permanecem fechadas, a maioria estuda e/ou trabalha fora para contribuir no sustento da família. Muitas assumem este encargo sozinhas.
As mulheres hoje exercem qualquer tipo de profissão, enfrentam com ânimo, criatividade e muito entusiasmo os desafios da vida moderna e, mesmo discriminadas, fazem a diferença; enfrentam concorrências, vencem obstáculos e chegam aonde querem. Muito embora vivam ainda uma situação, no mínimo constrangedora, pois correspondem à 2/3 das pessoas  analfabetas do mundo; constituem 60% da força de trabalho do planeta, mas não ganham mais que 10% da renda mundial; só possuem 1% da terra enquanto proprietárias. E ainda: a violência doméstica é a principal causa da morte de mulheres entre 14 e 44 anos no mundo.
DADOS ESPECÍFICOS DO BRASIL
A cultura machista se encarrega de neutralizar as poucas mulheres que chegam a algum posto. A sociedade patriarcal tenta nos conformar dizendo que nosso poder é diferente: atrás de um grande homem tem sempre uma grande mulher; as mulheres puxam as rédeas por trás dos bastidores, a verdade é que:
Ø  A remuneração de nós mulheres comparada a de homens com a mesma jornada de trabalho é 33% menor;
Ø  Somos a maior presença de desempregadas com curso superior em nosso país;
Ø  Ainda somos a maioria a cuidar das tarefas domésticas, solitariamente, fato que tem nos conferido historicamente uma tripla jornada de trabalho
O mundo todo está repleto da sinergia das mulheres e somente quando conseguirmos igualdade de direitos, mulheres e homens, elas/nós transformaremos a realidade e teceremos novos caminhos de fraternidade. Com esperança, sempre. Resolutas e criativas. Não desistiremos de criar um mundo de justiça e paz, onde todas (os) possam viver com dignidade.



MOVIMENTO DE TRABALHADORES CRISTÃOS - BRASIL




sábado, 28 de fevereiro de 2015

Em meio à crise institucional, trabalhadores lançam campanha em defesa da Petrobras





Adital
Em meio à crise institucional da Petrobras, maior empresa pública do Brasil, que sofre dos reflexos da investigação policial que identificou rede de corrupção envolvendo a instituição, está sendo lançada nesta terça-feira, 24 de fevereiro, a Campanha em defesa da Petrobras. A articulação conta com a participação de sindicalistas, representantes de movimentos sociais, estudantes, artistas, advogados, jornalistas e intelectuais, com o lema "Defender a Petrobras é defender o Brasil”.

Na abertura da mobilização, será realizado um ato público, no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, com a participação dos que já aderiram à campanha. Segundo a organização, estão confirmadas as presenças dos escritores Eric Nepumoceno e Fernando Moraes, da jornalista Hildegard Angel, do cineasta Luiz Carlos Barreto, da filósofa Marilena Chauí, do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, entre outras personalidades.

Foto: reproducao
Ato público será primeira de série de ações de mobilização nacional. Foto: Reprodução.

O ato é organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), mas a campanha já começou nas redes sociais, com a coleta de assinaturas de adesão a manifesto oficial. Segundo o documento, a ação institucional contra a corrupção tem o apoio da sociedade, na expectativa de esclarecimento dos atos e rigorosa punição dos culpados. A articulação denuncia, no entanto, que a ação estaria servindo a uma campanha visando à "desmoralização” da Petrobras, com reflexos diretos sobre o óleo e o gás, responsável por investimentos e geração de empregos em todo o país.

De acordo com o manifesto, a Petrobras tem sido alvo de um "bombardeio de notícias” sem adequada verificação, muitas vezes falsas, com impacto sobre seus negócios, sua credibilidade e sua cotação em bolsa. "É um ataque sistemático que, ao invés de esclarecer, lança indiscriminadamente a suspeita sobre a empresa, seus contratos e seus 86 mil trabalhadores dedicados e honestos”, expõe o texto.

"Assistimos à repetição do pré-julgamento midiático que dispensa a prova, suprime o contraditório, tortura a jurisprudência e busca constranger os tribunais. Esse método essencialmente antidemocrático ameaça, hoje, a Petrobrás e suas fornecedoras, penalizadas na prática, enquanto empresas produtivas, por desvios atribuídos a pessoas físicas”, afirma o manifesto.

O documento, que circula na Internet, defende que não se abra mão de esclarecer todas as denúncias, de exigir o julgamento e a punição dos responsáveis. Porém, faz uma ressalva: "Mas não temos o direito de ser ingênuos nessa hora: há poderosos interesses contrariados pelo crescimento da Petrobrás, ávidos por se apossar da empresa, de seu mercado, suas encomendas e das imensas jazidas de petróleo e gás do Brasil”, complementa o documento.

De acordo com a FUP, o ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores) deve participar do ato público desta terça-feira, 24. A campanha em defesa da estatal prosseguirá após o ato, com atividades em todo o país. Uma manifestação popular está agendada para o próximo dia 13 de março, na Avenida Paulista, em São Paulo.


Foto: reprodução
Ex-presidente Lula deverá participar do ato público da campanha. Foto: Reprodução.

Impactos ao trabalhador

Em entrevista à Adital, o coordenador-geral da FUP, José Maria Rangel, afirma que a campanha é direcionada principalmente aos setores progressistas da política brasileira, incluindo os grupos intelectuais. Para isso, será feita uma mobilização a partir das bases.

"O principal recurso é queimar sola de sapato. Estar na porta das estações rodoviárias, metrôs e ouros locais divulgando o que representa a Petrobras para a economia nacional e o que a paralisação da empresa pode causar à população”, indica. "A campanha busca trazer as vozes políticas para a realidade. A classe política progressista está calada vendo todo esse sangramento que está feito na Petrobras e precisa ser chacoalhada”, explica Rangel.

Segundo ele, hoje, a Petrobras responde por em torno de 1,2 milhão de empregos e a crise institucional resvala de maneira direta ou indireta na manutenção do trabalho desses profissionais. "O trabalhador, num primeiro momento, sente a crise através da redução dos contratos. No primeiro mês, atrasa o salário; no segundo mês, também; no terceiro mês, demite”, aponta.


Foto: reprodução
Coordenador-geral da FUP, José Maria Rangel, alerta para os impactos da crise nos trabalhadores. Foto: Reprodução.

Rangel destaca que o entrave em empreendimentos da Petrobras, como as refinarias Premium 1 e 2, que seriam construídas nos estados do Maranhão e Ceará, respectivamente, e que não saíram do papel, atingiram gravemente as economias locais. "Esses estados se prepararam para receberem uma refinaria. Houve toda uma mobilização hoteleira, de comércio, e viraram elefantes brancos. A expectativa foi jogada por terra”, aponta o coordenador-geral da FUP.

"Nós saímos de uma empresa que, em 2001 e 2002, representava 2% do PIB [Produto Interno Bruto] nacional e que, agora, representa 13%. A Operação Lava-Jato tem nosso total apoio no que diz respeito à apuração e punição dos envolvidos em corrupção, mas não podemos aceitar que essa operação venha a dar um baque significativo na economia do país. O que se está fazendo é com a Petrobras volte ao mesmo tamanho de 2002”, alerta o sindicalista.

Acesse o manifesto.Leia também

Intelectuais denunciam golpe para enfraquecer Petrobras e desestabilizar soberania do Brasil
Defender a Petrobras é defender o Brasil

Marcela Belchior

É jornalista da Adital. Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), estuda as relações culturais na América Latina.
E-mail:
marcela@adital.com.br
belchior.marcela@gmail.com







segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

É PRECISO UNIÃO E PARTICIPAÇÃO PARA MUDAR A REALIDADE

Por que sempre à custa dos trabalhadores?
Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco
 Analistas e articulistas econômicos tem apontado como principais desafios do segundo mandato presidencial arrumar as contas públicas e retomar o crescimento econômico.
Ajustar as contas públicas – na lógica econômica predominante – significa cortar gastos. Contrário ao discurso crítico da ortodoxia econômica na época da eleição, a presidente eleita acabou cedendo ao mercado, e nomeou para ministro da Fazenda um alto executivo do sistema bancário, ex-secretário de Tesouro no primeiro governo Lula, chamado na época de “Levy mãos de tesoura”.

Como parte das medidas da nova equipe econômica para cortar gastos e promover um ajuste fiscal, a “novidade” no final do 1o mandato do governo Dilma, em pleno período de festas natalinas, foram às medidas que atingiram as regras de acesso a vários benefícios sociais.

No início do primeiro mandato do governo Lula, eleito como esperança contra a continuidade do governo neoliberal do Partido da Social Democracia Brasileiro (PSDB), foi promulgada, como sua primeira medida, a reforma da previdência que atingiu diretamente os trabalhadores do setor público.

Em ambos os casos, as medidas evidenciaram que os governos eleitos pelo Partido dos Trabalhadores (PT) não estavam (e não estão) assim tão preocupados com os trabalhadores. Estas medidas, tomadas em períodos distintos, com grande simbolismo, foram justificadas para corrigir distorções, e realizar ajustes necessários para a retomada do crescimento econômico (para beneficiar a quem?). Mas na verdade não se pode admitir que a filosofia de Robin Hood seja materializada às avessas, tirando dos mais pobres para manter os privilégios dos mais ricos.

No Brasil existem inegavelmente importantes e indesejáveis distorções. Necessidades de ajustes e correções estão presentes nos diferentes aspectos da vida nacional, em particular no vergonhoso fosso que divide ricos e pobres. Mais do que meras distorções, são injustiças que deixam o país entre aqueles de maior desigualdade social no mundo.

E ai cabe uma pergunta que não quer calar. Serão tais medidas, como cortar gastos à custa da classe trabalhadora, que na prática significam reduzir direitos, que conduzirão o país a uma maior justiça social? A uma maior igualdade na distribuição de renda?

Obviamente que não. Fica claro que existe em tais medidas um viés claro de penalizar o trabalho e a classe trabalhadora. Daí o fato de tais medidas serem sempre bem recebidas pelos empresários e criticadas pelos trabalhadores.

Interpretadas como medidas fiscais, visando economizar para os cofres públicos, as medidas provisórias no 664 e 665, publicadas no dia 30/12/14 com a justificativa de economizar R$ 18 bilhões em 2015 (o equivalente a cerca de 70% do gasto com o Bolsa Família em 2014), modificam as regras dos critérios de acesso a benefícios sociais como o seguro-desemprego, auxílio-doença, pensão por morte, abono salarial e o seguro defeso para os pescadores. Estes benefícios previdenciários são todos de interesse direto dos pobres.

Além destas primeiras medidas, outras estão a caminho, e também afetarão a classe trabalhadora. A correção da tabela do imposto de renda é uma delas. O reajuste de 6,5% para o ano-calendário de 2015, aprovado pelo Congresso Nacional, não foi sancionado neste final de 2014. Será então mantida a correção de 4,5%, a mesma que vigorou nos últimos quatro anos. O reajuste ajudaria a reduzir a defasagem, favorecendo o contribuinte. Para o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), o prejuízo do trabalhador, acumulado desde 1996, chega a 68%. A não aprovação do reajuste representa uma elevação indireta da carga tributária – um claro arrocho do governo sobre os ganhos dos assalariados.

Por outro lado, medidas que poderiam aumentar a arrecadação não são tomadas. Uma delas é o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), que somente a União tem competência para instituir (art. 153, inciso VII da Constituição Federal), o qual, apesar de previsto, ainda não foi regulamentado.
Esta espécie de imposto sobre o patrimônio mudaria a lógica da estrutura tributária, pois hoje quem paga mais é o pequeno trabalhador assalariado. O imposto de renda sobre o trabalho faz crescer a arrecadação, e os benefícios não são sentidos. Os ricos pagam relativamente menos que os assalariados, as grandes fortunas são taxadas com valores irrisórios – muito diferente do que acontece em outras partes do mundo. 

Outro aspecto que pune o trabalhador – sempre que se fala em ajustar a economia – é a dívida pública. Irregularidades apontadas nunca foram investigadas, apesar de um preceito constitucional viabilizar a realização de uma auditoria da dívida. O que falta é vontade e decisão política.

Portanto, as primeiras medidas do “novo governo” Dilma são o oposto do discurso, cujo slogan afirma “nenhum direito a menos, nenhum passo atrás”. E não adianta tergiversar afirmando que não se trata de retirar direitos e, sim, de corrigir “distorções”. Então, a classe trabalhadora deve agir se quer tornar este um país de cidadãos mais conscientes de seus direitos e obrigações, respeitados pelo governo.

A esperança apregoada para conquistar mais quatro anos de governo necessita, sim, ser convertida em participação com pressão popular. Afinal, os políticos são eleitos por nós, e cabe a nós influir nos seus mandatos. Acompanhar como vota o político no parlamento, escrevendo para ele, exigindo que cumpra as promessas feitas. Aí sim poderemos começar a pensar em construir um país melhor. A esperança da mudança está em nossas mãos. A classe trabalhadora precisa agirparticipando – caso contrário, não haverá salvação.

 
 





quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

É PRECISO MUDAR O JEITO DE PENSAR


Hoje é o dia nacional contra a intolerância religiosa. Por isso, vale a pena refletir sobre esse fenômeno tão espalhado, hoje, no mundo.

Deus é amor e não intolerância



No mundo inteiro há um surto de intolerância e discriminação contra grupos culturais e religiosos diferentes da cultura dominante. Nesses dias, os atentados terroristas de Paris não recebem da sociedade uma resposta na direção contrária ao que eles propõem. Ao contrário, as manifestações de massa parecem falar a mesma linguagem do ódio e não distinguir grupos extremistas e a religião islâmica. No Brasil, a cada dia, se registram casos de discriminações e perseguições a alguns grupos religiosos, principalmente, comunidades das religiões afrodescendentes. Apesar da Constituição Brasileira defender a liberdade de culto para todas as religiões, ainda existem programas de rádio e televisão nos quais se prega a intolerância e se combatem os cultos afro. Esses ataques e atos de violência religiosa não são praticados por ateus dogmáticos, contrários à religião. São cometidos por grupos que se dizem cristãos e agem em nome de Deus. Apoiam-se em uma leitura ao pé da letra e fanática de certos textos bíblicos para justificar uma imagem de Deus cruel, violento e intolerante. Ainda bem que, até aqui, esses grupos neopentecostais e católicos de linha carismática não descobriram ainda que os mesmos livros da Bíblia que manda perseguir e destruir cultos de outros grupos manda também apedrejar mulheres adúlteras, pessoas que transem com animais ou simplesmente que não respeitem o sábado. O que eles farão quando descobrirem que as mesmas leis bíblicas que condenam outros cultos permitem a escravidão de estrangeiros e mandam vender pessoas como escravas para saldar dívidas não pagas? Será que, em pleno século XXI, quererão praticar essas leis culturais da Ásia antiga?
Em outras épocas, quase todas as Igrejas históricas condenavam hereges à morte. Também queimavam na fogueira mulheres consideradas feiticeiras ou bruxas e pessoas que praticassem formas de sexo não aprovadas pela Igreja. Durante séculos, a Igreja Católica se proclamou como a única religião verdadeira e sistematicamente combatia as outras. Somente há 50 anos, em 1965, ao concluir o Concílio Vaticano II que, em Roma, reuniu todos os bispos do mundo, a Igreja Católica publicou a declaração Nostra Aetate que reconhece o valor das outras religiões e incentiva os fieis a valorizar o diferente e praticar o diálogo. Da parte das outras Igrejas, um pouco antes, em 1961, o Conselho Mundial de Igrejas, que reúne mais de 340 confissões evangélicas e ortodoxas, em sua assembleia geral em Nova Dehli, pediu às Igrejas-membros uma atitude de respeito e diálogo com todas as culturas e colaboração com outras tradições religiosas.
Nas últimas décadas, em diálogo com a humanidade, muitos cristãos descobriram como critério da fé o que apóstolo Paulo escreveu ao grupo de Corinto: “Deus nos fez servidores de uma nova aliança, não da letra da lei, mas do espírito, porque a letra mata e o espírito é quem faz viver” (2 Cor 3, 6). E ao grupo dos adeptos de Roma, Paulo escreveu: “Assim, sirvamos a Deus, na novidade do Espírito e não na velhice da lei”(Rm 7, 6). Do mesmo modo, a imagem que Jesus transmite de Deus é a de um paizinho carinhoso que “faz nascer o sol sobre os bons, mas também sobre os maus e faz chover sobre quem é justo e quem é injusto” (Mt 5, 45).  
 No mundo atual, por causa das migrações e da comunicação global, a diversidade religiosa é um fato que, queiramos ou não, se impõe à humanidade. Alguns consideram negativo o fato de haver muitas religiões. No entanto, ao contrário, é uma graça divina e uma bênção que enriquece a todos/as. A diversidade cultural e religiosa faz com que os diferentes caminhos espirituais possam se complementar e se enriquecer mutuamente. Faz com que cada grupo reconheça os elementos de verdade que existem em outros grupos  e se abram ao que Deus revela a cada um, não somente a partir da sua própria tradição, mas também através dos outros caminhos religiosos. Para essa abertura pluralista e para o diálogo daí decorrente vale o que, no século IV, dizia Santo Agostinho: “Apontem-me alguém que ame e ele sente o que estou dizendo. Deem-me alguém que deseje, que caminhe neste deserto, alguém que tenha sede e suspira pela fonte da vida. Mostre-me esta pessoa e ela saberá o que quero dizer” [1]. 



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

CONVITE : CONFRATERNIZAÇÃO DO MTC REGIONAL NE II

  ATENÇÃO COMPANHEIROS, GENTE AMIGA!! 

  É neste sábado, 20 de dezembro 2014 nossa confraternização natalina.  





   Boa conversa, comida variada, bebida  e um momento de formação e celebração
                                                                                                                                                                                       





Onde: Sede do MTC  REGIONAL NE II, Rua Gervásio Pires, 404 Boa vista - Recife - Pe   




      15:00h           Três da tarde




Equipes, Presentes!
Amigos, presentes!




terça-feira, 9 de dezembro de 2014

É CHEGADA A HORA



​
No dia dos Direitos Humanos, 10 de dezembro, vamos relançar as Rodadas da Constituinte, iniciativa do querido Dom Hélder Câmara! 

Estamos num momento crucial para discutir os rumos do país! Há quase três décadas, o Brasil se preparava para voltar à democracia, com a convocação da Assembleia Nacional Constituinte, responsável por elaborar a Constituição de 1988. Porém, apesar dos avanços democráticos alcançados, ainda não conseguimos atingir as estruturas da desigualdade social, tampouco fazer as imprescindíveis reformas para desenvolvimento mais profundo da sociedade brasileira, como a reforma política, dos meios de comunicação, agrária e urbana.

A mobilização popular é fundamental para que as necessidades do povo sejam atendidas e contempladas no texto constitucional e na construção, como sujeitos ativos, de sua própria história. Militante pela redemocratização do país, Dom Hélder trabalhou pelo amadurecimento da sociedade brasileira, pela conquista da paz social e defendia que a Constituinte oferecesse garantias de uma distribuição mais justa da renda e das riquezas sociais. Por isso, Dom Hélder liderou, em 1986, aRodada da Constituinte, momento em que percorreu o país realizando debates com a perspectiva de que o povo se apropriasse daquela construção histórica.

De fato, a Constituição de 1988 serviu ao que se propunha: limpar o terreno da ditadura e prepara-lo para outro plantio, mais generoso e fértil, como afirmou Florestan Fernandes. Esse momento chegou! 

Sem as mudanças estruturais da sociedade, nosso processo de redemocratização foi inconcluso, restou inacabado. Agora, precisamos aprofundar a democracia por meio da mobilização popular! 

Assim, seguindo a trajetória de Dom Hélder, e seus preceitos de paz e justiça, convidamos cidadãs e cidadãos para a retomada da Rodada da Constituinte, no próximo dia 10 de dezembro, dia internacional dos Direitos Humanos, na sede doMovimento de Trabalhores/as Cristãos/ãs, às 19h (Rua Gervásio Pires, 404, Boa Vista, Recife-PE).

Programação
Resgate histórico - Dom Hélder, a luta por Justiça Social e a Constituinte
Marcelo Barros 

Método de Formação Popular
Reginaldo Veloso 

Entrega de material-base para as Rodadas da Constituinte 
Construção de Agenda das Rodadas

Realização: Fórum Dom Hélder e Secretaria Operativa do Plebiscito da Constituinte-PE


--
Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político

Secretaria Operativa - Pernambuco
Endereço: Sede da CUT-PE. Rua Dom Manoel Pereira, 183 |Santo Amaro | Recife | PE

sábado, 29 de novembro de 2014

A REAÇÃO II

Sindicatos concovam protesto em defesa da Petrobras

Tânia Rego/ABr
Ato visa reforçar a importância da empresa para o Brasil; "A Petrobras tem que ser fortalecida após a Lava-Jato e não privatizada", diz Emanuel Cancella, Secretário-Geral do Sindipetro
27/11/2014
Por Bruno Pavan
Da Redação
Acontecerá nesta sexta-feira (28) o “Ato nacional em defesa da Petrobras 100% estatal”. Convocado pelo Sindicato dos Petroleitos do RIO DE JANEIRO (Sindipetro), a Frente Nacional dos Petroleiros (FNP),  CSP-Conlutas entre outros, o protesto BUSCAreforçar a importância da empresa para o Brasil.
“A Petrobras foi criada pelo povo brasileiro, RICOS, pobres, conservadores e comunistas. O petróleo que antes era um sonho passou a ser uma realidade. O pré-sal pode ajudar a pagar a dívida social histórica que o país tem com o seu povo”, defendeu o secretário geral da Sindipetro e da FNP Emanuel Cancella.
Os sindicatos vão reivindicar uma série de pautas COMO a nacionalização e cumprimento da lei de conteúdo nacional do pré-sal, a volta do monopólio e da Petrobras 100% estatal, entre outras.
Punição para corruptos e corruptores
A operação Lava Jato, da Polícia FEDERAL, que já prendeu dois diretores da estatal e inúmeros executivos ligados a empreiteiras, também estará na pauta do protesto. Emanuel defende a punição exemplar para todos os envolvidos e a devolução do dinheiro desviado para os cofres públicos, mas diz que a Petrobras tem de ser fortalecida.
“A luta do petróleo não termina nunca e isso reflete na crise que estamos vivendo hoje. A Petrobras tem que ser fortalecida após a operação e não privatizada, COMO muito estão pedindo agora. Não podemos misturar a imagem da empresa com os corruptos e corruptores”, finalizou.
O ato ocorre a partir das 12h30 desta sexta-feira (28) na frente da sede da Petrobras no Rio de Janeiro.