domingo, 21 de agosto de 2022

MTC EM AÇÃO

 Como primeira atividade da nova coordenação e em vista das eleições de governadores, deputados (estadual e federal), senadores e presidente da República foi criado o comitê,  " MTC LULA PRESIDENTE - REGINALDO VELOSO. 

A inauguração se deu no último dia 19/08/2022 com a presença da coordenação , vários militantes das equipes, de movimentos sociais, amigos e convidados.

Com atração cultural do coletivo  "Sienbra" animando a festa. 






































NOVA COORDENAÇÃO

 Na assembleia do Movimento de Trabalhadores Cristão Regional NE II ano 2022 foi eleita a nova coordenação, conselho e assistentes do movimento contando com a presença de  quase todas equipes de base e um número de 33 militantes aptos a votar 





Tendo sido eleitos: 

*NOVA COORDENAÇÃO:*

*Coordenadora:* Marcionita (*Vice:* Lulinha da Piracema.)

*Tesouraria:* Simone (*Vice:* Ivanildo)

*Secretaria:* Patrícia (*Vice:* Sandra do Grito)

*Formação:* Tim Maia (*Vice:* Benedito de Petrolina)

*Comunicação:* Alexandre (*Vice:* Cláudio Barros (Claudinho))

*Publicações e expansão:* Geraldo (*Vice:* André da Maria Lorena)

*Assistente:* Valmir (*Vice:* Geraldo Ferreira da Maria Lorena).


*Conselho:*

Arnaldo,

Carlos de João Pessoa,

Ivanete,

Ramos,

Roberta,

Nete,

Rosileide de Petrolina.



 









sexta-feira, 20 de maio de 2022

TE AMAMOS, RGINALDO

 Amigas e amigos, o nosso guerreiro descansou, lutou toda sua vida, pelo que acreditava, em 19/05, às 23:00, Reginaldo Veloso encerrou sua participação especialíssima no palco da vida " aqui e agora", para continuar sua contribuição junto a papai do céu, como ele costumava dizer, pode ir em paz, meu amado gigante, nós te amaremos para sempre, e estarás presente em nossas vida, com tua força, tua alegria de viver, com teu amor pelos empobrecidos da terra, com tuas músicas, teus pensamentos e tuas ações. Até logo nosso grande amor. Com amor Edileuza e João 


Nosso sentimento de pesar e profunda solidariedade à família, amigos e toda as comunidades que amam Reginaldo Veloso, encarnação de fé, dedicação e perseverança pelas causas do povo, na perspectiva do Reino de Deus.


sábado, 1 de maio de 2021

MENSAGEM 1° DE MAIO MTC - REGIONAL NORDESTE



Como Trabalhadores e Trabalhadoras, mantemo-nos firmes em nossa missão:

LUTAR E RESISTIR SEMPRE! 

A gente imaginava que a crise da saúde teria acabado e a Classe Trabalhadora poderia se manifestar 

no Dia do Trabalhador. Não seja por isso. Aqui estamos, observando as medidas de segurança, mas 

firmes na luta frente a essa pandemia que está corroendo nossa Casa Comum, a Terra, e frente a esse 

Sistema que ignora a primazia do Trabalho e a dignidade do Trabalhador e da Trabalhadora

O Dia do Trabalho e da Classe Trabalhadora é uma marca no calendário universal que ninguém pode 

apagar. Esse Dia existe para lembrar que todos os dias são dias para se reconhecer e respeitar o valor 

social do Trabalho e a dignidade pessoal de cada Trabalhador e Trabalhadora, em todos os países e 

em cada Estado nacional.

Uma pergunta a nos fazermos com urgência: seremos capazes de nos manter vigilantes diante da 

demolição sistemática dos valores e direitos herdados das pessoas e entidades de Classe que 

por eles lutaram antes de nós e os conquistaram?

 Seremos capazes de zelar pela dignidade dos Companheiros e Companheiras, marginalizados 

na extrema pobreza, que fazem fila, ora para receber cestas básicas, quentinhas e kits de hi-

giene, ora para receber a micharia do auxílio emergencial?...

 Nunca como agora ficou escancarada a desigualdade aberrante entre ricos e pobres... Como en-

tender que, enquanto a pobreza chega a ao extremo, os Bancos e os banqueiros aumentaram 

de muito seus lucros e sua riqueza?... Seremos capazes de participar da resistência e das lutas 

dos Trabalhadores diante das explorações econômicas das empresas nessa conjuntura adver-

sa?... Procuremos conhecer a proposta de RENDA BÁSICA MÍNIMA e façamos dela nossa 

bandeira!

 Já bem antes da pandemia começou o desmonte da Legislação Trabalhista e Previdenciária, 

sob o pretexto de combater o desemprego, que só faz aumentar: somos hoje mais de 14 milhões 

de desempregados no Brasil. Ficaremos parados diante desses desmandos e dessa praga?...

 Que faremos diante da falta de apoio governamental aos trabalhadores informais, aos artesãos, 

às pequenas e médias empresas que estão despedindo seus funcionários, ou, mesmo, indo à 

falência?...

 Que faremos diante das medidas de precarização do trabalho e das enroladas do “trabalho in-

termitente” e outras?...

 Que faremos diante de desigualdades que, não somente persistem, como até se agravam, na 

remuneração e no trato, entre homens e mulheres e entre pretos e brancos?...

 Que faremos diante da massa de desalentados, que já não se animam a sair em busca de tra-

balho ou de qualquer solução para seus problemas... correndo o risco de se tornarem presas 

fáceis do tráfego, da prostituição e outras formas de marginalidade?...

 Nunca como nessa pandemia ficou escandalosa a crise habitacional deste país: quanta gente se 

apertando em precários barracos, pendurados nos morros, ou atolados em alagados e palafitas, 

sem a mínima condição de acomodação decente e higiene?... Que faremos para defender a 

dignidade e os direitos das famílias de trabalhadores que passaram a morar nas ruas, por não 

poder pagar aluguel?... Que faremos para reivindicar medidas de urgência como ajuda gov-

ernamental, tipo “auxílio aluguel”, e outras?... Que faremos como luta permanente por habitação 

decente e digna para toda a gente trabalhadora?...

Companheiras, Companheiros

Melhor que ninguém sabemos quanto tudo isso pesa e interfere na vida de nossas famílias: tensões 

no relacionamento entre familiares, perda de dignidade e valores, problemas de agressividade e 

violência, problemas de saúde e educação... Problema é o que não falta.

Numa hora de tanto desgaste e desalento, cabe a nós levantar a bandeira do ESPERANÇAR: levan-

tar os olhos e perceber os “Sinais dos Tempos”, investir nas lutas pequenas ou grandes, na certeza 

de que a luta solidária da Classe Trabalhadora, é o caminho de sempre e a garantia de que, mais 

dia menos dia, sonhando e agindo juntos, veremos nossos sonhos se tornarem realidade.

Precisamos escutar companheiros e companheiras em cada Categoria, vizinhos e vizinhas em nos-

sos Bairros e com eles e elas conversar sobre o que anda rolando... Selecionar e frequentar as

melhores fontes de informação... Reunir-nos em Equipe e aprimorar nosso olhar, aprofundar nossas 

análises, perceber a raiz dos problemas, enxergar os desafios maiores e mais urgentes e onde in-

vestir prioritariamente nossos esforços. É o nosso VER.

Precisamos abastecer-nos de luz e razões, de motivação e gana: conhecer melhor a História da 

Classe Trabalhadora, nossa herança de testemunhas e exemplos dos lutadores e lutadoras do 

povo, nossos pensadores e poetas... Aguçar nosso olhar para Jesus Cristo, o campeão e realizador 

da nossa Fé libertadora, Aquele que anunciou o Evangelho do Reino da Justiça e da Paz, Aquele 

que morreu por essa causa e ressuscitou para nos encher do seu Espírito, que é luz, fonte de amor 

e força de libertação. A luz e a força que vem da História da Classe Trabalhadora e da História Hu-

mano-Divina de Libertação narrada pela Sagradas Escrituras nos ajudarão a encarar as estruturas e 

conjunturas da realidade social, e escutar os apelos do Planeta, da História e de Deus, conscientes 

de que o trabalhador, a trabalhadora, imagem e semelhança de Deus, “vale mais do que todo o ouro 

do mundo” (José Cardijn). É o nosso JULGAR.

Atentos e dispostos a participar das inciativas e lutas levantadas pelos Movimentos Populares, pelo 

Movimento Sindical e pelos Partidos Políticos comprometidos com a Classe Trabalhadora, os ex-

cluídos e carentes, conscientes de que, através de ações de maior amplitude e de pequenas ações 

locais, estaremos contribuindo para mudanças em escala mundial, concretizemos, assim, nossa fi-

delidade à Classe Trabalhadora e a Jesus Cristo. É o nosso AGIR libertador!

Retomemos o grito vibrante do Companheiro Elias Cândido, de saudosa memória:

VIVA A CLASSE TRABALHADORA!

VERSÃO ADPTADA PELA COORDENAÇÃO DO MTC REGIONAL NORDESTE II DA MENSAGEM RECEBIDA DO MOVIMENTO MUNDIAL 

DE TRABALHADORES CRISTÃOS - MMTC

MENSAGEM INTERNACIONAL DE 1º DE MAIO 2021 MMTC


Como trabalhadores, mantemo-nos firmes na nossa missão

‘’LUTAR, LUTAR, LUTAR E RESISTIR SEMPRE ‘’

Pensávamos ter saído da crise de saúde para nos manifestarmos no Dia do Trabalhador. Mas 

aqui estamos nós a lutar para nos manter em segurança, ainda sob o jugo desta pandemia que 

corroi a nossa Casa Comum, a Terra. 

O Dia do Trabalhador é uma inscrição indelével no mundo do trabalho. Não só estamos na luta 

contra um vírus destrutivo global, mas também contra uma corrente divisória que diminui a 

primazia do trabalho. Este valor social e pessoal, que engrandece a dignidade de cada indivíduo, 

deve ser sempre elevado nos corações e mentes como um padrão de humanidade em cada país 

ou Estado.

Seremos capazes de vigiar o declínio dos valores herdados dos antigos?

 Seremos capazes de zelar pela dignidade dos pobres que são constantemente 

despojados, dos marginalizados que se alinham em frente das lojas (comitês) de 

solidariedade, "reste du coeur", ou durante a distribuição de pacotes de alimentos e 

cheques de solidariedade? 

 Seremos capazes de resistir com os trabalhadores às explorações econômicas? 

 Os direitos fundamentais nem sempre são respeitados, podemos mesmo dizer 

que nos são retirados. Podemos mencionar : 

 número de desempregados que continua a aumentar, um sinal de que uma parte 

da população, antes ocupada, está desempregada. Na Ilha da Reunião, a taxa 

de desemprego é de 21% ! (No Brasil a taxa é de 14,2%, ou seja, mais de 14 

milhões de desempregados).

 Artesãos, pequenas ou médias empresas despedem seus funcionários ou declaram falência.

 A precariedade do emprego,

 A perda dos benefícios sociais, 

 A falta de uma habitação decente e digna, 

 A desigualdade de tratamento entre homens e mulheres.


Esta situação tem repercussões importantes nas famílias onde o desemprego e a precariedade 

provocam perdas e tensões intra-familiares, violência e problemas de saúde e educação.

O fato é que cada trabalhador é uma imagem do Criador que nunca deixa de dar prioridade ao 

ser humano, como se dissesse novamente que "ele vale mais do que todo o ouro do mundo" 

(Joseph Cardijn).

Cada mulher e cada homem é chamado a ser um ator social e a participar de um 

desenvolvimento solidário e sustentável e na transformação da sociedade a fim de viver de pé.

Ao mesmo tempo, a nossa sociedade desigual, que vem perdendo os valores, nos seus 

objetivos de globalização, tende a considerar o trabalhador como uma engrenagem na roda, um 

consumidor. O modelo econômico, capitalista, está mais preocupado com a sua economia do 

que com o ser humano. Assim, as empresas multinacionais continuam, na sua maioria, a 

enriquecer-se com lucros colossais.

Com o MMTC (Movimento Mundial dos Trabalhadores Cristãos) do qual é membro, o MTKR (A 

Reunião do Movimento dos Trabalhadores Cristãos) quer juntar-se a todos aqueles que, na 

Reunião e no mundo, consideram este dia 1o. de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, como 

um convite para manter e continuar a luta por uma sociedade mais justa, mais fraterna e 

sustentável.

Não esqueçamos que, se a condição dos trabalhadores melhorou com o tempo, é porque eles 

criaram a solidariedade, para continuar a ser o caminho da esperança, e para continuar a luta 

com aqueles que procuram construir um mundo mais justo, de paz, onde os direitos humanos 

serão respeitados. E ainda há trabalho a ser feito.

O Dia 1o. de Maio não é apenas uma demonstração de um dia, mas um lembrete de que se trata 

de uma luta diária. E para nós cristãos, é uma luta centrada no Humano, em nome de Cristo, 

com o Espírito Santo.

Seremos capazes de enriquecer a nossa maneira de ver, de analisar, com as armas do coração 

e os ensinamentos retirados do pensamento social da Igreja, colocando Deus e o seu Filho nos 

nossos julgamentos?

Jesus Cristo deu-se a conhecer através de curas. 

Nestes tempos de pandemia, deixemo-nos inocular pelo seu Espírito, para alcançar, através de 

pequenas ações onde estamos, uma mudança em escala mundial. 

Mensagem escrita pelo Movimento Operário Cristão - MTKRÉUNION

MOVIMENTO MUNDIAL DE TRABALHADORES CRISTÃOS

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

NOTA DE LEIGOS E LEIGAS DA ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

 "E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado". Marcos 2:27 

                                              

Em 27 de julho de 2020, por ocasião da assinatura da CARTA ABERTA AO POVO DE DEUS, ao lado de mais 151 bispos que, ouvindo os clamores do povo brasileiro, saiu em sua defesa, indo de encontro aos desmandos que estão levando o país a um aumento inaceitável da injustiça social, com o número de vidas perdidas para a Covid19 que chega aos 112 mil, apoiamos Dom Fernando Saburido, quando ele era vítima de agressões verbais por ter assinado a carta profética. 

Agora, precisamos também colocar nossa posição sobre os acontecimentos do último domingo (16.08.2020) com uma criança de 10 anos.

 Diante da falta de acolhimento e compaixão com a criança, abusada sexualmente por quase metade de sua vida, por quem deveria lhe garantir segurança – o próprio tio –; diante da colocação da interrupção de uma gravidez de risco como um crime mais grave do que o estupro que a levou a esta situação; diante dos atos de hostilidade, violência e condenação da criança, dos familiares e profissionais de saúde, por parte de religiosos católicos e protestantes, padres, pastores, leigos, leigas e políticos, em frente ao hospital em que se encontrava internada a criança, sob o pretexto de defesa da vida; e ainda, diante do autoritarismo clerical que se instalou em algumas paróquias, com a exclusão arbitrária dos fiéis que apoiaram a garotinha, queremos registrar aqui a nossa indignação e a nossa tristeza.

 Dessa vez, não podemos, pelas nossas próprias consciências, sermos parte dos que condenam pobres crianças, vítimas da violência sexual que recorrem, excepcionalmente, ao aborto para preservar a própria vida – já que se trata de gravidez de alto risco – e como forma de esperança de resgatar a infância roubada, com a dignidade que toda criança deve ter. Assim registramos o nosso apoio a todas as crianças vítimas da sociedade e à justiça que ampara o direito à preservação de suas vidas e de sua infância. Continuamos caminhando com a Arquidiocese de Olinda e Recife, da qual fazemos parte como povo de Deus de sua jurisdição, mas, acima de tudo, seguimos firmes em nossa caminhada de defesa da vida em sua plenitude. Sempre que houver a defesa da justiça e onde a ação da Igreja colocar em primeiro lugar a compaixão e a misericórdia acima da legalidade, como nos deu o exemplo o próprio Jesus Cristo, nós estaremos presentes.

 CEBI – Centro de Estudos Bíblicos - Pernambuco 

Grupo Encontro da Partilha 

Grupo Fé e Política Dom Helder Camara 

Grupo de Leigos Católicos Igreja Nova Juventude Dom Helder Camara 

Movimento dos Trabalhadores Cristãos 

Pastoral da Saúde da AOR 

Pastoral Ambiental da AOR

 RCB –  Renovação Cristã do Brasil- Recife

  Rede de Espiritualidade e Ação Humanista

domingo, 26 de julho de 2020

REFLEXÃO DA CLASSE TRABALHADORA

https://youtu.be/0oIkX3c-zXQ
Em nossa *"Reflexão da Classe Trabalhadora"* Reginaldo Veloso nos propõe nos encontrarmos em rodas de conversa para compartilhar a realidade atual, os nossos desafios, fazer a leitura dos acontecimentos e das realidades a luz do Evangelho usando o método Ver, Julgar e Agir

Hoje, Reginaldo nos faz uma pergunta tão provocativa quanto desconcertante: somos gente que descobriu o tesouro? A peróla preciosa?

Reginaldo Veloso é presbítero leigo das CEBs e membro do corpo de assistentes do Movimento de Trabalhadores Cristãos NE II e Consultor do Movimento de Adolescentes e Crianças

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sábado, 25 de julho de 2020

O TRABALHO TEM FUTURO?





Hesitei em intitular este artigo. Primeiro, acudiu-me a ideia de encimar o texto com o título O Futuro do Trabalho. Rapidamente meu inconsciente suscitou uma advertência: por acaso o senhor tem certezas sobre o trabalho do futuro? Reconheci que o tema está inçado de incertezas.
Por isso, ouso invocar algumas ideias que desenvolvi com Gabriel Galípolo no livro A Escassez na Abundância Capitalista. O título do livro é paradoxal, assim como o paradoxo da produtividade apontado pelo relatório Compendium of Productivity Indicators 2018, da OCDE: “A despeito da retomada do crescimento na maioria dos países da OCDE, o maior peso de empregos de baixa produtividade reduziu os salários reais na economia como um todo”.
As legiões do progresso tecnológico deixam uma procissão de desgraças
O paradoxo revela que a aceleração do progresso tecnológico deslocou um contingente significativo de trabalhadores para atividades de baixa qualificação, o que deprime a produtividade e, também, a capacidade de consumo dos trabalhadores submetidos ao emprego precário.
Em seu rastro de vitórias, as legiões do progresso tecnológico deixam uma procissão de desgraças: além do desemprego, promovem a crescente insegurança e precariedade das novas formas de ocupação, a queda dos salários reais, a exclusão social.
Em Phenomenology of The End, o filósofo Franco Bifo Berardi desvenda essas transformações: “O capital deixou de alugar a força de trabalho das pessoas, mas compra ‘pacotes de tempo’, separados de seus proprietários ocasionais e intercambiáveis. O tempo despersonalizado tornou-se o agente real do processo de valorização e o tempo despersonalizado não tem direitos nem demandas. Apenas deve estar disponível ou indisponível, mas essa alternativa é meramente teórica porque o corpo físico, a despeito de desconsiderado juridicamente, ainda tem de se alimentar e pagar aluguel”.
À sua maneira, Bifo Berardi aponta para uma transformação crucial nas relações de trabalho no capitalismo contemporâneo. O progresso tecnológico da inteligência artificial, da internet das coisas e da robótica promove a dissolução das relações de assalariamento, o dito “emprego formal” que sustentou essas relações ao longo dos séculos de evolução da assim chamada economia de mercado.
Isso não significa, porém, que os trabalhadores ganhem mais independência e autonomia, tempo livre e outras delícias embutidas no rol de possibilidades desse sistema paradoxal. Muito ao contrário, acentuam-se as dependências das grandes estruturas monopolistas que surgem das transformações tecnológicas e organizacionais. São os grilhões da liberdade.
O fenômeno do surgimento e multiplicação das chamadas plataformas digitais invade o espaço ocupado pelo comércio, pela finança, pelos serviços, pela publicidade e pela produção. As empresas de plataforma têm um papel cada vez mais importante nas economias contemporâneas. Além dos gigantes numéricos, como Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft, as plataformas ocupam outros setores como finança, hotelaria, transportes, comercialização e distribuição de mercadorias, entrega de comida em domicílio.
Outrora apoiado em edificações distribuídas pelos espaços físicos nas cidades e arredores, o comércio – atacado e varejo – baseado no contato pessoal entre funcionários vendedores e clientes vem sendo substituído pelo e-commerce, que coloca os clientes em contato direto com as mercadorias. Estão em risco as cadeias de lojas distribuídas pelo espaço urbano, os shopping centers, restaurantes e casas de entretenimento.
Os bancos e as demais instituições financeiras reduzem as agências e os serviços prestados pessoalmente por gerentes e funcionários. Os serviços bancários são terceirizados para agentes autônomos, sem relações de trabalho formais com as plataformas que funcionam como um centro de controle das atividades. Ao contrário do que sugerem as versões disseminadas pelo senso comum, essas plataformas facilitam a concentração bancária. São transformadas em braços mercantis das grandes instituições financeiras. As chamadas fintechs, apresentadas como um avanço para a maior competitividade, transformam-se, na verdade, em operadoras das grandes instituições bancárias e financeiras.
Os trabalhadores autônomos, empreendedores de si mesmos, assumem os riscos da atividade – investimento, clientela – mas estão submetidos ao controle da plataforma na fixação de preços e repartição dos resultados.
Essa organização do trabalho foi predominante nos primórdios do capitalismo manufatureiro da era mercantilista, sob a forma do putting-out system. Os comerciantes forneciam a matéria-prima para os artesãos “autônomos” que estavam obrigados a entregar o produto manufaturado em determinado período. O salário por hora de Paulo Guedes é uma tentativa de restaurar as relações de trabalho do mercantilismo.
O capitalismo das plataformas transforma a possibilidade do tempo livre na ampliação das horas trabalhadas, na intensificação do trabalho, na precarização e empobrecimento do óleo queimado que sobrevive na bolha cada vez mais inflada dos trabalhadores em tempo parcial. 

Fwd: [pastoral-operaria-sao-paulo-militantes] O trabalho tem futuro.



quarta-feira, 8 de abril de 2020

                                                               
                                                              O APAGÃO LITÚRGICO
Quando uns sinais se apagam, para que outros sinais despontem!

“A noite é bela, porque somente durante a noite, é que podemos enxergar as estrelas” Card. Suenens

Uma Semana Santa diferente. Uma oportunidade inédita de aprendizado. A graça do momento! Porque, para quem tem a felicidade de ter “olhos de ver” (cf Lc 10,23), “tudo é graça!”. 
De fato, o povo de cultura cristã, especialmente, a Igreja Católica, ao longo de séculos, vem desenvolvendo uma prática religiosa centrada nos Sinais Sacramentais, apostando tudo nas celebrações dos Sacramentos, sobretudo da Eucaristia. Nessas atividades celebrativas,  esgota-se a maior parte dos recursos e esforços humanos e pastorais, o tempo maior de ação e dedicação dos presbíteros. É o que a crítica teológica denomina de “sacramentalismo”.
Alertados e instados pelas autoridades sanitárias de todos os níveis e em todos os recantos do Planeta, as Igrejas, as autoridades eclesiásticas, com lamentáveis e temerárias exceções, quase que consensualmente, orientam seus fiéis a ficarem em casa, porque, no momento, a barreira mais eficaz à disseminação do vírus é o distanciamento ou isolamento social. Todos os grandiosos eventos religiosos da Semana Santa, estão sendo cancelados, ou reduzidos a celebrações com a presença de um número mínimo de pessoas, transmitidos pela mídia convencional ou pelas redes sociais. Do Vaticano à mais pequenina capela, nos rincões mais remotos, é assim que se vem procedendo, desde o Domingo de Ramos. É um verdadeiro “apagão litúrgico”.
Essa percepção me ocorre, justamente, quando me ponho a refletir sobre a mensagem desta Quinta-Feira Santa. É no mínimo curioso que o quarto Evangelho, escrito por João, ao narrar a Última Ceia, no clássico cap. 13, descreva, com detalhes a cena do Lava-Pés, e omita o que é destaque nos três Evangelhos sinóticos, repetindo o que escrevera Paulo no cap. 11 da sua primeira Carta à Comunidade de Corinto: a partilha do pão e do vinho, em sua memória. Ambas as leituras são proclamadas na celebração desta noite.
Segundo João, depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus, conclui: “Pois bem, se eu lavei os pés de vocês, eu que sou o Senhor e o Mestre, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam do modo como eu fiz (...). Se vocês entenderem isso, serão felizes se o praticardes” (Jo 13,14-15.17).
De olho nas palavras de Jesus reportadas por João, vamos ler, como que, em paralelo, quanto relata Paulo: “De fato, eu mesmo recebi do Senhor aquilo lhes transmiti. A saber: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus pegou o pão, e dando graças o partiu e disse: ‘Isto é meu corpo, que é para vocês. Façam isto em memória de mim’. Do mesmo modo, depois de cear, pegou também o cálice e disse: ‘Este cálice é a nova aliança no meu sangue,  façam isto em memória de mim’” (1Co 11,23-25).
O mesmo Jesus que, na Ceia narrada por João, lava os pés dos discípulos, aparece em Paulo e nos três primeiros Evangelhos, tomando o pão eo vinho, entregando-lhes, como alimento, seu corpo e seu sangue... O mesmo Jesus que em Paulo e nos sinóticos sentencia “façam isto em memória de mim”, é Aquele que, no Evangelho de João, ordena “vocês também devem lavar os pés uns dos outros”; e acrescenta como “bem-aventurança”: “Se vocês entenderem isso, serão felizes se o praticarem”.
Não é difícil imaginar que João, tendo escrito seu Evangelho depois de todos os demais, tenha querido alertar as Comunidades cristãs para o essencial, talvez já não tão claramente percebido, como se dissesse: “Queridos e queridas, não adianta comer o pão e beber o cálice da Ceia do Senhor, se vocês não lavam os pés uns dos outros... Se vocês não cuidam uns dos outros... Se vocês não fazem o que sugeri na parábola do Samaritano... Se vocês não estão dando a vida uns pelos outros como eu dei por vocês (cf Jo 15,12-14). Não adianta comer a Ceia em minha memória, se vocês não praticam o lava-pés no dia a dia.
Será, então, que a oportunidade, a graça que Deus nos está concedendo neste momento de “apagão litúrgico”, é justamente essa: “Aproveitem esse momento de não poder celebrar os Sacramentos, a Eucaristia, para perceber tudo quanto está acontecendo no meio de vocês (queira Deus!) e ao redor de vocês!?... Tanta gente se desdobrando para fazer sua parte, colocando-se a serviço de quem mais precisa, nesta hora de calamidade pública: arrecadação de cestas básicas, preparo e oferta de refeições ao povo da rua, confecção e distribuição de máscaras; Sindicatos de Trabalhadores/as, Movimentos Populares, Parlamentares, Governadores, Prefeitos e Juízes, e o próprio Ministro da Saúde, unidos na garantia de direitos da Classe Trabalhadora e de medidas abrangentes e eficazes de proteção para toda a população, especialmente os mais vulneráveis; e, sobretudo, Agentes de Saúde, dedicando-se no limite de suas forças, alguns, algumas literalmente dando suas vidas pela salvação do seu povo. Que beleza ver os agentes de saúde, médicos/as, enfermeiros/as e demais servidores/as homenageados/as em todo o Brasil e pelo mundo afora. Que emocionante vê-los reverenciados na China, como “Mártires do Povo”. Eis aí o Lava-Pés: o mandamento de Jesus sendo posto em prática! Eis aí a “presença real de Jesus” na vida, no dia a dia do povo! E somente essa “presença real” de Jesus na vida do povo, é que consubstancia e autêntica a “presença real” Jesus na celebração eucarística. 
Parece que o aprendizado da hora é este: Deus nos está convidando a fazer uma pausa altamente pedagógica. Aos que durante tanto tempo fomos tão assíduos na celebração da Santa Missa... aos que estivemos durante tanto tempo encantados, adorando a Jesus na hóstia consagrada... aos que até agora só o enxergamos nos “Sinais Sacramentais”, ele nos convida a abrir os olhos para os “Sinais dos Tempos”, todos esses gestos de solidariedade que se multiplicam e ampliam, perto de nós e pelo mundo todo, “pois tive fome e vocês me deram de comer, tive sede e me deram de beber, era estrangeiro e me acolheram, estava nu e me vestiram, estava doente e me visitaram, estava na cadeia e vieram me ver” (Mt 25,35-36).
Oxalá a Humanidade, países e mundo globalizado, indivíduos e sociedade, saiamos todos/as mais humanizados/as, capazes de construir um novo Sistema, que mantenha o  Planeta saudável e sustentável; as Economias, solidárias; as Políticas, clara e decididamente, a serviço do Bem Comum, do Bem Viver! 
E as Igrejas e Religiões santifiquem e honrem  o nome de Deus, Pai-e-Mãe de todos e todas nós,    colocando-se a serviço da “Vinda do Reino do seu Reino”, na medida em que se consagram à realização a sua santa vontade “assim na terra como no céu”, isto é, servir à  causa da Vida em plenitude! (cf Jo 10,10). Neste sentido, nós católicos, nesta Quinta-Feira Santa, poderíamos edificar-nos com as palavras de uma santa muito querida, que no final de sua breve existência, escrevia: “Sem dúvida, é uma grande graça receber os sacramentos; mas, quando o Bom Deus não o permite, está bem do mesmo jeito. Tudo é graça”.
Reginaldo Veloso, presbítero leigo das CEBs, 
assistente do Movimento de Trabalhadores Cristãos - MTC


quarta-feira, 1 de maio de 2019









       DECLARAÇÃO DO MMTC  - DIA INTERNACIONAL DO TRABALHADOR*

1º. DE MAIO

COMPROMISSO COM A DIGNIDADE HUMANA, CO-GESTÃO E SUSTENTABILIDADE
O trabalho é um elemento indispensável à dignidade humana. É por isso que a dignidade do homem, dada por Deus, deve ser respeitada no mundo do trabalho. Na Alemanha, na Europa e no mundo, milhões de pessoas não têm trabalho para se alimentarem e sustentarem suas famílias. A mecanização, a automatização e a digitalização não devem conduzir à exclusão de milhões de pessoas. A exploração dos recursos provoca danos irreparáveis e condições de trabalho desumanas. A digitalização da economia conduz a condições de trabalho precárias; em todo o mundo, 60 por cento estão empregados no setor informal: sem segurança social, sem direitos trabalhistas e com baixos salários.
Com o Papa Francisco, dizemos "não a uma economia de exclusão e desigualdade. Essa economia mata!" (...) "Como consequência desta situação, grandes massas da população são excluídas e marginalizadas: sem trabalho, sem horizontes, sem saída" (Evangelho Gaudium, 53).

EXIGIMOS TRABALHO PARA TODOS E SALÁRIOS DECENTES NO MUNDO DIGITAL!
Os 100 anos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) não deram aos trabalhadores de todo o mundo os direitos sociais e trabalhistas estipulados nas normas da OIT. Milhões deles estão privados de direitos trabalhistas e humanos fundamentais; não podem formar conselhos de empresa nem organizar-se. O desenvolvimento rumo à paz, ao progresso e à justiça social só é possível se todos os países do mundo ratificarem estas normas.
Exigimos a aplicação global dos direitos de COGESTÃO e TRABALHO de acordo com a OIT!
As condições precárias de trabalho continuam a causar danos à saúde e a morte. Trabalho decente significa condições saudáveis que proporcionem um meio de subsistência. A Europa precisa de uma regulamentação global para um salário mínimo decente nos diferentes países da UE. As empresas que operam em escala global devem ser legalmente obrigadas a aplicar direitos trabalhistas e padrões de salário mínimo em suas cadeias produtivas.
EXIGIMOS UM SALÁRIO MÍNIMO JUSTO E SUSTENTÁVEL NA EUROPA E EM TODO O MUNDO!
Temos de acabar com a exploração dos seres humanos e da nossa Mãe Terra. A paz, o progresso e a justiça social para todos só serão possíveis se os objetivos do desenvolvimento sustentável forem alcançados em todo o mundo.
Não há paz sem desenvolvimento sustentável e sem justiça.
Mensagem escrita pela KAB da Alemanha

MOVIMENTO MUNDIAL DE TRABALHADORES CRISTÃOS

* Texto corrigido pelo MTC regional NE II que entende que este dia não é o “Dia internacional do trabalho” mas, “Dia Internacional do Trabalhador”.

sábado, 5 de janeiro de 2019

                                                     
                                                      “TERRIVELMENTE CRISTÃ!”

Carta aberta à Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
Senhora Ministra,
em seu discurso de posse, num rasgo de fanática “profissão de fé”, a Sra. assim se definiu, perante um Estado, que a Sra. reconhece como laico: “Eu sou terrivelmente cristã”.
Para quem sobrará essa sua declaração de “terrorismo cristão”?...
Se a Ministra-Pastora se identificar com outra Mulher que veio bem antes da Sra., e, como Aquela, sentir-se contemplada, na sua “humildade”, e escolhida por Deus justamente para contribuir com seu Projeto de Libertação (Evangelho segundo Lucas 1,48-49)...
Se o seu ser “terrivelmente cristã”, tiver a ver com o que Maria, bem antes da Sra., um dia, cantou, justamente, quando elogiada por sua fé (Lucas 1,39-55)...
Que a Ministra Damares, em nome do Deus “Poderoso”, venha realizar este “santo terror”:
-  ao permitir que, através da Sra., “o braço” de Deus aja ”valorosamente”, dispersando “os que no coração alimentam pensamentos orgulhosos”, julgando-se maiores e melhores que os demais (veja o verso 51);
- ao possibilitar que, através da sua atuação, “os poderosos”, os opressores e tiranos de sempre, sejam derrubados “dos seus tronos”, e, exaltados “os humildes”, os marginalizados e excluídos (veja o verso 52);
- ao concretizar, através do seu Ministério, o sonho de Maria e de todos os famintos e sedentos da Justiça: ver encherem-se “de bens, os famintos”, e “os ricos”, despedidos “vazios” (veja o verso 53).
Se o seu “ser terrivelmente cristã”, tiver a ver com o que o Filho bendito de Maria, um dia, profetizou, que venha a Ministra Damares com todo o ímpeto deste terror:

 - para ajudar a realizar a Bem-aventurança que privilegia todos ”os pobres, porque” deles “é o Reino de Deus!” (veja, no cap. 6, o verso 20);
- para ajudar a realizar a Bem-aventurança que prioriza “os que agora” têm “fome, porque” serão “saciados” (veja o v. 21a);
- para ajudar a realizar a Bem-aventurança que dá o primeiro lugar aos “que agora choram”, para que a gente possa vê-los “rir” (veja o v. 21b);
- para possibilitar que sejam “bem-aventurados” os que agora são odiados, expulsos, injuriados e rejeitados, justamente porque serviram ao Projeto de Libertação do “Filho do Homem”,  tomando a defesa deles, permitindo, assim, que haja uma grande alegria neste país, pois justamente estes serão reconhecidos, desde já, como os agraciados de Deus (veja os v. 22-23);
A Ministra Damares será aclamada pela Terra e pelo Céu, se for, de fato, “terrivelmente cristã”, como Jesus:
- anunciando desde já a desgraça dos “ricos” (veja o v. 24);
- proclamando desde já a desgraça dos “que agora” estão “fartos” (veja o v.25ª);
- profetizando desde já a desgraça dos “que agora” riem (veja o v. 25.b);
- decretando desde já a desgraça dos que são louvados por “todos” (veja o v. 26).
Só assim, graças à sua atuação destemida e corajosa, essa gente soberba e abastada vai “ter fome”, haverá “de lamentar e chorar”, e todo mundo vai poder perceber de que lhes valeu tanta ostentação e tanta bajulação.
Se for para isso, Ministra, pode vir com todo o seu terror. Deus e o Povo irão aplaudi-la.
Mas, quanto antes,
- passe a cuidar das famílias dos Sem-Teto, para que não se repita o que aconteceu na primeira noite de Natal, e famílias vejam seus filhos nascerem nas piores condições “porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lucas 2,7);
- não tenha medo nem vergonha de comer e beber “com os publicanos e pecadores”, porque são estes os que mais “precisam” da Vossa Senhoria, e são os preferidos do “Mestre” (Marcos 2,16-17);
- e tome a defesa da Mulher mal vista e malquista, não permitindo que seja apedrejada, pois só “aquele que dentre vós estiver sem pecado, se4ja o primeiro que lhe atire apedra” (João 8,7);
- finalmente, não desespere de nenhuma pessoa tida como marginal, perdida, ou bandido, pois para surpresa de muitos “publicanos e meretrizes vos precederão no reino de Deus” (Mateus 21,31), e a um “malfeitor” de quem foi companheiro na morte, Jesus mesmo disse: “hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23,43). Antes, cuide bem de proporcionar-lhes todas as oportunidades possíveis de recuperação de sua dignidade e do direito de viverem e serem felizes.
Somente assim, com esse espírito de compaixão a cima de tudo, poderá ser “terrivelmente cristã”, feito o “Bom Pastor”, que veio para que as “ovelhas” assaltadas e espoliadas “tenham vida e a tenham em abundância” (João 10,10b).
De outra forma, Vossa Senhoria se igualará aos “escribas e fariseus hipócritas” que, sob o pretexto da “Lei”, impedem as pessoas de terem acesso ao Reino da Vida (Mateus 23,13-36) e não fazem outra coisa senão “matar e destruir” (João 10,10a).
O Deus da Vida, Criador do céu e da terra, e seu Filho Jesus, o Divino Samaritano, a abençoem e lhe concedam seu Espírito de Luz, de Verdade e Amor.
Reginaldo Veloso,
Presbítero leigo das Comunidades Eclesiais de Base - CEBs
Assistente do Movimento de Trabalhadores Cristãos – MTC
Assessor do Movimento de Adolescentes e Crianças – MAC
Assessor da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife
reginaldoveloso937@gmail.com

(Se alguém tiver como fazer chegar às mãos (aos olhos e ao coração) da |Ministra Damares, esta Carta Aberta, receba toda a minha gratidão, com os votos de um Feliz Ano Novo)





domingo, 1 de julho de 2018

As “Mãos Ensanguentadas de Jesus”: outro olhar possível

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Surpreendentemente contemplado com o troféu LOUVEMOS/2018, “mérito especial”, concedido pela TV Século 21, viajei do Recife a São Paulo, na manhã de 20/06, para recebê-lo, não sem alguma ansiedade.

Chegando ao aeroporto de Viracopos, em Campinas, um pouco após o meio dia, esperava-me o Marcão, com a viatura da TV Século 21, devidamente caracterizada pela logo das “Mãos Ensanguentadas de Jesus”.
Mal dei com os olhos naquela inscrição, confesso que fiquei fortemente impactado. E mais que rapidamente, em minha mente, se acendeu a visão do Juízo Final.

Tanto quanto a visão das Mãos ensanguentadas impactaram meus olhos, as palavras taxativas do Mestre retiniram em meus ouvidos: “Afastem-se de mim malditos. Vão para o fogo eterno, preparado pra o diabo e seus anjos. Porque, eu estava com fome, e vocês não me deram de comer; eu estava com sede, e não me deram de beber; eu era estrangeiro, e vocês não me receberam em casa; eu estava sem roupa, e não me vestiram; eu estava doente e na prisão, e vocês não me foram visitar”. Mais impactante ainda foi escutar a pergunta dos condenados “Senhor, quando foi que te vimos com fome ou com sede, como estrangeiro ou sem roupa, doente ou preso, e não te servimos?”, seguida da resposta do Rei, que lhes dirá clara e inapelavelmente: “Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês não fizeram isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizeram” (Mt 25,41-45).
E logo me dei conta dos cravos que, hoje, traspassam cruelmente as Mãos de Jesus:
• Primeiramente, o cravo da fome: “Eu estava com fome, e vocês não me deram de comer” (Mt 25,42ª): é só pensar nos mais de 13 milhões de desempregados, com suas famílias, juntando a isso os cortes nos programas sociais que têm a ver com o pão de cada dia. De dois anos para cá, nosso país, volta, assim, a marcar vergonhosa presença no “mapa da fome” desenhado pela ONU, do qual havia saído durante a gestão de um presidente operário. A fome causada pelo desemprego tem muito a ver com a, com a infame “Reforma Trabalhista” que implanta sistematicamente a precarização do trabalho, a insegurança no emprego, o enfraquecimento dos Sindicatos, a perda de direitos sagrados, conquistados a preço de sangue durante bem um século de lutas da Classe Trabalhadora.
Mas a fome tem a ver, sobretudo, com a realidade fundiária do país que, desde a concessão das “Capitanias Hereditárias”, consagrou o latifúndio, muitas vezes, improdutivo, como regime de posse e utilização da terra, condenando à condição de “Sem Terra”, de norte a sul e de leste a oeste, uma legião imensa de gente do campo.
À fome ou à ameaça da fome, se ajunta, o cravo do veneno, a traspassar todos os que trabalham nos campos e, muito mais, todos os que consomem tudo quanto chega a nossas mesas contaminado pelo uso abusivo de agrotóxicos. O Agronegócio brasileiro, representado poderosamente no Poder Legislativo pela Bancada Ruralista, se demonstra vergonhosa e criminosamente conivente com os interesses genocidas dos fabricantes multinacionais desses venenosos insumos.
Passar fome ou envenenar-se por conta do que se come, eis o drama que vivemos todos e todas neste país! Por conta do cravo da fome e do agrotóxico, corre Sangue, hoje, das Mãos de Jesus!
• Em seguida, o cravo da sede: “Eu estava com sede e mão me deram de beber”. Não quero referir-me apenas ao que ciclicamente ocorre o Nordeste e de fato acaba de ocorrer nos últimos seis anos, fenômeno natural que bem pode ser contornado com políticas de armazenamento de água e transposição de rios, como veio ocorrendo nas gestões populares de passado recente.
Quero chamar a atenção para as deficiências todas das políticas de saneamento básico, que deixam tanta gente passar necessidade de água em suas moradias, sobretudo nas periferias de nossas cidades.
Mas, o cravo da sede, que vem traspassando as Mãos de Cristo hoje, acontece, também e lamentavelmente, por conta do envenenamento dos mananciais e dos lençóis freáticos, nas regiões pulverizadas pelos agrotóxicos do Agronegócio, a que nos referimos acima, deixando populações inteiras privadas do precioso líquido ou obrigadas a consumi-lo nessas condições.
E nossa preocupação aumenta quando sabemos da ameaça que pesa sobre o nosso país submetido a uma gestão que se apressa em vender e privatizar todas as nossas riquezas naturais, patrimônio precioso do povo brasileiro, entre outras, a nossa ÁGUA. Por conta do cravo da sede, da falta de água e do envenenamento das águas, corre Sangue, hoje, das Mãos de Jesus!
• O cravo da falta de habitação: “eu era estrangeiro, e vocês não me receberam em casa”. São legiões de famílias morando mal ou simplesmente ”sem teto”. O drama das famílias que moram em palafitas, à beira dos mangues ou nos alagados... ou então ameaçadas pelo deslizamento de barreiras nas encostas dos morros... ou ainda, ameaçadas por ordem de despejo e reintegração de posse, quando ousam ocupar terrenos baldios, ociosos, à mercê das ambições da especulação imobiliária, ou imóveis urbanos desocupados, inclusive prédios públicos, às vezes, correndo o risco de tragédias, como há pouco aconteceu no centro de São Paulo...
Ajuste-se a isso, o drama dos migrantes provindos de outros países, sobretudo, nesses últimos tempos...
Por conta deste cravo da falta de habitação, corre Sangue, hoje, das Mãos de Jesus!
• E o cravo da nudez?... “Eu estava sem roupa, e não me vestiram”. Não é difícil imaginar a situação, não só do “Povo da Rua”, mas de tantas famílias que, ao longo de um inverno, que vai se demonstrando rigoroso, além da dificuldade de se prover do alimento, com certeza, passa, igualmente, outras necessidades básicas, por exemplo, sem poder abrigar-se do frio, por impossibilidade de adquirir o agasalho necessário e suficiente. Pensemos nas crianças e nos idosos passando frio, nas ruas ou nas favelas...Por conta do cravo da nudez, corre Sangue, hoje, das Mãos de Jesus!
• E ainda o cravo do abandono na doença: “Eu estava doente (...), e vocês não me foram visitar”. Para além do descaso com que certas famílias tratam seus doentes, especialmente seus idosos, abandonando-os em hospitais públicos ou em precários abrigos, estamos, dia após dia, assistindo ao descaso dos governos com a Saúde Pública, sobretudo, o desmonte e sucateamento do SUS, uma das maiores conquistas do povo brasileiro, 30 anos atrás, quando nossa Constituição Cidadã de 1988 estabelecia que “saúde é um direito de todos e dever do Estado”.
Precisamos lembrar que a perversa lei que congelou os gastos públicos por 20 anos, aprovada pela tríplice “Bancada do Boi, da Bala e da Bíblia”, é a grande responsável por esse perverso processo de sucateamento, que outra finalidade não tem senão privatizar os Serviços Públicos.
Como se não bastasse, mais um crime hediondo está sendo cometido contra a Saúde do povo: a principal fonte de recursos para a manutenção e avanço do SUS seria a exploração do petróleo do PRÉ-SAL, que graças a nossos espúrios governantes, está sendo vendido aos abutres das petrolíferas multinacionais.
Por conta do cravo do abandono na doença, corre Sangue, hoje, das Mãos de Jesus!
• Finalmente, o cravo do abandono na prisão: “Eu estava (...) na prisão, e vocês não me foram visitar”. Se por conta da doença, irmãs e irmãos nossos se encontram abandonados em hospitais e abrigos, imaginem o que possa estar ocorrendo nas prisões deste país!... Mas o abandono por parte das respectivas famílias, se agrava exponencialmente por conta dos horrores da política carcerária deste país, uma afronta escandalosa a tudo quanto se possa entender como Direitos Humanos inerentes a toda e qualquer pessoa humana, onde quer que se encontre, não importa em que circunstância ou vicissitude: além da  absurda superlotação, o que deveria ser um espaço de reeducação e ressocialização, são antros de desumanidade e apodrecimento moral, “universidades” do crime, a que as pessoas são relegadas, tanto por ineficiência do Poder Judiciário, quanto por incompetência, irresponsabilidade e, mesmo, perversidade do Poder Executivo, em todas as suas instâncias, de cima  a baixo, do Ministério e das Secretarias de Justiça a Agentes Penitenciários.
Mas há algo de mais grave, de abrangência muito maior e de consequências muito mais funestas: a quantidade imensa de pessoas neste país, submetida às prisões ideológicas resultantes dos preconceitos que sempre estiveram na raiz dos processos econômicos, sociais, políticos e culturais que engendraram a sociedade brasileira, tradicionalmente dominada por brancos, ricos, machos, cristãos e heterossexuais: no avesso das categorias hegemônicas, os negros e as populações nativas, os empobrecidos e toda a Classe Trabalhadora, as mulheres, os seguidores das religiões de matriz africana, o segmento LGBT.
Igualmente, as prisões da ignorância, quando se dificulta ou simplesmente se nega acesso à Educação... Em recentes experiências de governos populares, o país parecia caminhar rapidamente, para um novo patamar de Educação do povo, com a interiorização e ampliação do Ensino Técnico e Superior, inclusive com as políticas afirmativas de concessão de quotas aos segmentos mantidos até pouco tempo fora do alcance dessas possibilidades ... Mas, estamos assistindo estarrecidos ao desmonte sistemático, ao esvaziamento progressivo dessas políticas... Estamos assistindo ao sucateamento sistemático de todo o sistema educacional do país, graças, sobretudo à lei que congelou os gastos públicos, e a sorrateira proposta de privatização dos Serviços Públicos...
Piores ainda, talvez, as prisões da desinformação e da lavagem cerebral sistemática a que a massa está sendo submetida, sendo impedida de perceber criticamente a realidade, graças ao papel criminoso desempenhado pela grande Mídia, patrocinadora do Sistema , e boa parte do que acontece com as Redes Sociais, nas mãos dos produtores ou repassadores da “mentira institucional” e da alienação planejada do povo, para que não veja, não se mobilize e não lute por seus Direitos e contra todos esses desmandos...
Emblematicamente, quem esteve à frente de um processo virtuoso de inclusão e de acesso das massas aos Bens de consumo e Serviços Sociais básicos, minorando a aberrante desigualdade vigente desde sempre neste país, encontra-se hoje condenado por uma Justiça viciada e aparelhada pelo Sistema, e preso nos cárceres da Polícia Federal em Curitiba. Sem esquecer o assassinato encomendado de Mariele Franco, mulher, negra, favelada, lésbica, uma vereadora eleita entre as candidatas e candidatos mais votados no município do Rio de Janeiro.
Por conta do cravo do abandono nas prisões, das prisões ideológicas, das prisões da ignorância, das prisões da desinformação, e das prisões políticas, corre Sangue, hoje, das Mãos de Jesus!
As palavras que “o Rei” haverá de pronunciar no Juízo Final, por graça, nos ecoam antecipadamente aos ouvidos, e vale a pena retomá-las: “Afastem-se de mim malditos. Vão para o fogo eterno, preparado pra o diabo e seus anjos. Porque, eu estava com fome, e vocês não me deram de comer; eu estava com sede, e não me deram de beber; eu era estrangeiro, e vocês não me receberam em casa; eu estava sem roupa, e não me vestiram; eu estava doente e na prisão, e vocês não me foram visitar”. E já não valerá mais desculpa alguma, nem a pergunta: “Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou sem roupa, doente ou preso, e não te servimos?”. Porque a resposta já nos foi adiantada em tempo: “Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês não fizeram isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizeram” (Mt 25,41-45).
Os devotos das Mãos Ensanguentadas de Jesus, muito especialmente, mas todos os Cristãos e Cristãs, estamos sendo, desde sempre, responsabilizados pelos cravos que hoje fazem jorrar Sangue das Mãos de Jesus, seja quando contribuímos direta e intencionalmente para a fome, a sede, a nudez, o desabrigo, o abandono na doença ou na prisão, de tanta gente; seja quando vemos esse filme de horror passar diante dos nossos olhos e fazemos como o “sacerdote” ou o “levita” da conhecida e  famosa Parábola (Lc 10,25-37), passamos “adiante, pelo outro lado”.
O que de todos e todas nós se espera é que permitamos às Mãos de Jesus, que constatamos cravadas por tantos cravos e chocantemente “ensanguentadas”, passem, aqui e agora, a agir através de nossas mãos, para arrancarem eficazmente, e o mais rápido possível, todos esses cravos tão cruéis das mãos de tanta gente. E nós possamos, “naquele dia”, escutar, felizes, o que Jesus dirá às pessoas justas, que souberam ouvir e praticar a sua palavra: “Venham vocês, que são abençoados por meu Pai. Recebam como herança o Reino que meu Pai lhes preparou desde a criação do mundo. Pois eu estava com fome, e vocês me deram de comer; eu estava com sede, e vocês me deram de beber; eu era estrangeiro, e me receberam em sua casa; eu estava sem roupa, e me vestiram; eu estava doente, e cuidaram de mim; eu estava na prisão, e vocês foram me visitar” (Mt 25,14-16).
É claro que se trata muito mais do que da tradicional “caridade” que se costuma praticar entre cristãos e cristãs para com os pedintes que batem à nossa porta ou encontramos pelas ruas...
E é para ser mesmo como?... Procuremos conversar, como vem fazendo exemplarmente o Papa Francisco com o povo dos Movimentos Sociais Populares... Essa gente nos saberá dizer, melhor que ninguém, o quê e como fazer. Não começaria por aí a “Igreja em saída”?...
Mais do que nunca, precisamos atender ao convite que, há mais de 50 anos, nos fazia o santo Papa João XXIII: arregalar os olhos para os “sinais dos tempos”. E “quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas” (Ap 2,29).
Oxalá, percebamos, em tempo, que ser cristão, ser cristã, hoje, sem assumir a dimensão política da nossa Fé, seria, quando muito, brincar de Evangelho... Seria nada entender do PAINOSSO que rezamos, ao não nos darmos conta do que pedimos, ou não nos colocarmos à disposição do Pai para fazer a nossa parte... quando a alegria que nos vem da Fé é podermos alegrar-nos por ver o seu Reino vir a nós, e a sua vontade ser feita “assim na terra, como no céu”.
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Reginaldo Veloso, presbítero leigo das CEBs
​​Assistente do Movimento de Trabalhadores Cristãos - MTC
​​Assessor Pedagógico do Movimento de Adolescentes e Crianças – MAC​
​​Membro da Equipe de Reflexão sobre a Música Litúrgica da CNBB