sábado, 15 de novembro de 2014

Qual desenvolvimento teremos a partir de 2015?

        


Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável serão o novo marco global de desenvolvimento. O desafio é criar metas menos generalistas, como as dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
por Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais — publicado 09/10/2014 10:26
Kibae Park / UN Photo
Favela no Vietnã
Uma favela em Hanói, no Vietnã. O mundo discute como conduzir o desenvolvimento
Por Melissa Pomeroy e Bianca Suyama
A agenda de desenvolvimento Pós 2015, que culminará nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aspira ser o novo marco global para o desenvolvimento. Uma vez acordada, será essa agenda que orientará as políticas e investimentos de países em desenvolvimento e, principalmente, daqueles classificados como países de baixa renda, que dependem sobremaneira da cooperação internacional e dos financiamentos geridos pelas Instituições Financeiras Internacionais (IFIs). Assim como aconteceu com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), o consenso ao redor dos ODS significa um pacto político da comunidade internacional e deverá, teoricamente, orientar a agenda das agências de cooperação internacionais e organizações multilaterais, servindo como instrumento para canalizar recursos e definindo formatos e estratégias de atuação.
Se por um lado os ODMs foram importantes para elevar e legitimar internacionalmente a importância do combate à pobreza, em um período marcado pelo evidente fracasso do decálogo de recomendações e condicionalidades do Consenso de Washington, por outro são inúmeras as críticas relacionadas ao seu processo de construção e resultados. Em busca de um consenso entre os diversos Estados-membros da ONU, os ODMs se constituíram em oito metas generalistas, baseados em receituários e desvinculados de outros compromissos firmados em âmbitos multilaterais ou regionais. Ainda, as metas pecavam por sua falta de perspectiva de gênero e sua pouca reflexão sobre a desigualdade como causa da pobreza.
O processo de elaboração da agenda pós 2015 apresenta algumas respostas às críticas elaboradas aos ODMs, mas o acordo selado na 69ª Assembleia da ONU em relação aos ODS segue se configurando como uma agenda de desenvolvimento mínima onde desafios e contradições substantivos persistem: esteve formalmente aberta à participação da sociedade civil, mas esta se caracterizou por desigualdades de recursos, informações e âmbitos de decisão; apresenta avanços nas questões de gênero (transversalmente e, marcadamente, em seu objetivo 5), mas não registra mudanças significativas em relação aos direitos sexuais e reprodutivos e à população LGBT; reconhece a importância dos povos indígenas, pescadores e mulheres rurais para o combate à insegurança alimentar, mas não os reconhece como atores fundamentais para o equilíbrio climático; baseia-se no tripé desenvolvimento econômico-social-ambiental, proposto pela Rio +20 e incorpora a necessidade de diminuir a desigualdade entre e dentro dos países (objetivo 10), mas sobrevaloriza o papel do setor privado como alternativa de financiamento para o desenvolvimento e não explora as contradições que o atual estágio de desenvolvimento capitalista impõe, no que diz respeito às causas da desigualdade social e das crises climática, financeira, alimentar e energética, à captura do político pelo econômico e à financeirização de bens comuns e meio ambiente.
Claramente, a formulação dos ODS é, em si, um importante campo de disputa sobre modelos de desenvolvimento e alternativas no âmbito internacional. Neste sentido, reforçamos a importância da cooperação internacional não só como campo de ação, mas também como espaço dinâmico de discussão política do que é considerado legítimo e possível. Dentro deste debate, muitos esperam que o Brasil e outros provedores de Cooperação Sul-Sul (CSS) contribuam com novos caminhos a paradigmas. À continuação, apontam-se alguns dos campos em disputa nos debates do Pós-2015, nos quais espera-se um protagonismo da delegação brasileira em diálogo com a sociedade brasileira, nos processos de negociação dos ODS.
Pobreza versus desigualdadeO objetivo declarado do sistema de ajuda ao desenvolvimento, ou cooperação Norte-Sul, é a redução da pobreza. As organizações internacionais tiveram grande papel na construção do entendimento sobre a pobreza e as maneiras de enfrentá-la. O foco exclusivo na redução da pobreza resultou, muitas vezes, na tecnificação e despolitização do desenvolvimento, que desconsidera as dinâmicas de poder que produzem e reproduzem a pobreza, exclusão e desigualdade.
Apesar de isso não significar que esforços globais para a redução da pobreza são dispensáveis, ressalta a necessidade de reflexão sobre quais devem ser os principais objetivos da cooperação e os caminhos para atingi-los. Neste sentido, a inclusão de um objetivo 10 – ‘’reduzir desigualdade inter e entre países” - deve ser visto como uma vitória. O grande protagonista desse embate foi o G77, China e Brasil (é importante ressaltar que a posição governamental foi influenciada pelo diálogo com a sociedade civil).
Entretanto, os indicadores do objetivo são pouco específicos. Nas propostas enviadas pela sociedade civil brasileira ao Grupo de Trabalho Interministerial sobre a Agenda de Desenvolvimento Pós 2015 do governo brasileiro foi ressaltada a necessidade de incluir a linguagem de direitos, especificando os diversos grupos sociais vulneráveis. A existência de dados confiáveis e desagregados para esses diferentes grupos também é essencial para o monitoramento das metas.
Um passo para frente e dois para trás – a necessidade de coerência de políticasUm dos grandes desafios dos ODS é promover coerência de políticas que assegurem complementariedade de esforços em diferentes esferas – cooperação, comércio e financiamento. A coerência de políticas requer uma visão consistente do desenvolvimento perseguido. Diante dos diversos interesses em disputa, a construção dessa visão se configura como uma tarefa complexa (e, talvez, impossível).
Podemos observar essa complexidade na CSS brasileira, que se orienta a adensar suas relações com os países em desenvolvimento na busca de benefícios mútuos. Nessas relações, cooperação, incentivos comerciais, créditos concessionais e às exportações, muitas vezes, se misturam.
A área da agricultura, em particular, reflete as tensões entre diferentes interesses e visões de desenvolvimento. O Brasil compartilha experiências em agricultura familiar, ao mesmo tempo que promove o agribusiness via projetos de cooperação técnica e financeira. Para alguns, a complementariedade destas abordagens é o que justamente caracteriza a trajetória do desenvolvimento agrícola do País. No entanto, representantes da sociedade civil e da academia vêm ressaltando que estas lógicas, por serem contraditórias, estão exportando nossos conflitos internos.
Por outro lado, alguns projetos de cooperação se baseiam não apenas no compartilhamento de experiências mas, também, no diálogo direto com agendas multilaterais que respondem a uma noção de desenvolvimento na qual o comércio internacional joga um papel fundamental, como o Projeto Cotton 4, que simboliza batalhas travadas na OMC.
Responsabilidade e financiamento - Estado ou setor privado como indutor do desenvolvimento?
São cada vez mais influentes os discursos sobre parcerias público-privadas e modelos de governança multi-atores, que implicam em maior fragmentação da governança global, colocam em cheque a representatividade do sistema e não apresentam nenhum tipo de mecanismo de prestação de contas. Vale destacar também que, frente ao desafio de financiamento, organizações brasileiras, em consonância com movimentos internacionais, indicaram a criação de taxa sobre as transações financeiras internacionais como uma alternativa para levantar recursos para o desenvolvimento.
Ainda com relação ao financiamento, ao materializar as intenções de fortalecer uma ordem internacional multipolar, o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) dos BRICS emerge como um peça importante. O NBD afirma perseguir o desenvolvimento sustentável, porém a definição sobre qual é o seu entendimento sobre esse conceito será decisiva e definirá o caráter dos projetos financiados. Frente à importância da diversificação de financiamento para apoiar projetos alternativos preocupa o fato de que os esforços brasileiros em relação a potenciais fontes para países do Sul - o ‘Fundo IBAS para o Alívio da Fome e da Pobreza’ e o Banco do Sul - continuem cambaleantes.
Com relação ao setor privado, é preocupante a tendência em redirecionar foco e recursos da cooperação para proporcionar ambientes favoráveis ao negócio e promover a participação do setor privado no desenvolvimento dos países.
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A negociação dos ODS faz transparecer as diversas posições que estão disputando os caminhos da agenda de desenvolvimento internacional. Apesar das questões relacionadas à legitimidade e representatividade do processo de construção dos ODS, o engajamento neste debate é importante pois ele pautará não só a agenda da cooperação internacional, mas também definirá as noções de desenvolvimento que serão difundidas pelas organizações multilaterais.
O papel do Brasil tem sido definitivo em algumas questões (como os objetivos 10 e 16) e espera-se que, na definição de indicadores e meios de implementação, o País mantenha seu protagonismo em diálogo com a sociedade brasileira. Esse diálogo é congruente com a visão que a política externa, assim como qualquer política pública, está sujeita à disputa de interesses presentes na sociedade e deve, portanto, estar sob escrutínio público e contar com espaços institucionalizados de participação, conforme a demanda por conformação de um Conselho Participativo de Política Externa, onde se incluiria também os debates sobre cooperação internacional.
*Melissa Pomeroy é coordenadora de programas do Centro de Estudos e Articulação da Cooperação Sul-Sul (Articulação SUL) e coordenadora do Observatório Brasil e o Sul. Bianca Suyama é coordenadora executiva do Articulação SUL e integrante do GRRI.Veja mais análises e notícias em http://obs.org.br/pos2015

sábado, 8 de novembro de 2014

UM BOM CONVITE




Prezadas e prezados
Certamente vocês já conhecem o Grupo Mulher Maravilha  e já ouviram falar que vamos executar um Curso de Formação em Direitos Humanos em Convenio com a Secretaria Nacional de DH da Presidência da República. Já se cadastraram mais ed 50 mulheres mas para chegarmos a 100, ainda precisamos de mais e o tempo agora corre contra nós. 
Gostaríamos muito que chegassem mulheres com perfil de liderança e ou com interesse na temática, pois como sabem, precisamos a todo momento nos reinventar para podermos enfrentar e combater tanta violação de Direitos Humanos
Então, pedimos que divulguem esse curso, ou os repassem endereços para que cheguemos a essas mulheres que certamente pela sua força, ajudarão a mudar esse mundo pra melhor.
Agradecemos pela contribuição nessa luta pela afirmação dos Direitos Humanos
Lourdes Luna


GMM


GRUPO MULHER MARAVILHA
Projeto
  “As Mulheres e os Direitos Humanos – Democratizando os Saberes”
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
FICHA DE  PRÉ-CADASTRO

Dados Pessoais:
Nome Completo.....................................................................................................
Como gosta de ser chamada.................................................................................
Data de Nascimento............................                   Naturalidade................................
Endereço Completo...............................................................................................
E-mail.....................................................................................................................
Telefone Residencial ............................. Celular/Operadora.................................
Escolaridade: ..................................................................................................
Raça/Cor: ( ) Indígena         ( ) Negra        ( ) Amarela    ( ) Branca
Orientação Sexual (responda se quiser) ( ) Heterossexual       ( ) Bissexual
( ) Homossexual       ( )Transexual
Pessoa com Deficiência: ( ) Sim            ( ) Não
Em caso afirmativo, especificar qual ....................................................................

Engajamento
Participa de alguma associação/entidade?  Em caso positivo, qual e vinculo ou função?..................................................................................................................
...................................................................................
Participa de algum Fórum/Rede/Movimento. Em caso positivo, qual ou quais?....................................................................................................................
Já fez Curso de PLPs? Em qual instituição e quando? Tem Certificado? ...............................................................................................................................
Já participou de Curso de Formação em Direitos Humanos? Quando e com qual organização?..................................................................................................

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Quão “cordial” é o povo brasileiro?



Leonardo Boff
Adital
Dizer que o brasileiro é um "homem cordial” vem do escritor Ribeiro Couto, expressão generalizada por Sérgio Buarque de Holanda em seu conhecido livro: "Raizes do Brasil” de 1936 que lhe dedica o inteiro capítulo Vº. Mas esclarece, contrariando Cassiano Ricardo que entendia a "cordialidade”como bondade e a polidez, que "nossa forma ordinária de convívio social é no fundo, justamente o contrário da polidez”(da 21ª edição de 1989 p. 107). Sergio Buarque assume a cordialidade no sentido estritamente etimológico: vem de coração. O brasileiro se orienta muito mais pelo coração do que pela razão. Do coração podem provir o amor e o ódio. Bem diz o autor:”a inimizade bem pode ser tão cordial como a amizade, visto que uma e outra nascem do coração”(p.107).
Escrevo tudo isso para entender os sentimentos "cordiais” que irromperam na campanha presidencial de 2014. Houve por uma parte declarações de entusiasmo e de amor até ao fanatismo para os dois candidatos e por outra, de ódios profundos, expressões chulas por parte de ambas as partes do eleitorado. Verificou-se o que Buarque de Holanda escreveu: a falta de polidez no nosso convívio social.
Talvez em nenhuma campanha anterior se expressaram os gestos "cordiais” dos brasileiros no sentido de amor e ódio contidos nesta palavra. Quem seguiu as redes sociais, se deu conta dos níveis baixíssimos de polidez, de desrespeito mútuo e até falta de sentido democrático como convivência com as diferenças. Essa falta de respeito repercutiu também nos debates entre os candidatos, transmitidos pela TV. Por exemplo, que um dos candidatos chame a Presidenta do país de "leviana e mentirosa” se inscreve dentro desta lógica "cordial”, embora revele grande falta de respeito diante da dignidade do mais alto cargo da nação.
Para entender melhor esta nossa "cordialidade” cabe referir duas heranças que oneram nossacidadania: a colonização e a escravidão. A colonização produziu em nós o sentimento de submissão, tendo que assumir as formas políticas, a lingua, a religião e os hábitos do colonizador português. Em consequência criou-se a Casa Grande e a Senzala. Como bem o mostrou Gilberto Freyre não se trata de instituições sociais exteriores. Elas foram internalizadas na forma de um dualismo perverso: de um lado os senhor que tudo possui e manda e do outro o servo que pouco tem e obedece ou também a hierarquização social que se revela pela divisão entre ricos e pobres. Essa estrutura subsiste na cabeça das pessoas e se tornou um código de interpretação da realidade e aparece claramente nas formas como as pessoas se tratam nas redes sociais.
Outra tradição muito perversa foi a escravidão. Cabe recordar que houve uma época, entre 1817-1818, em que mais da metade do Brasil era composta de escravos (50,6%). Hoje cerca de 60% possui algo em seu sangue de escravos afro-descendentes. O catecismo que os padres ensinavam aos escravos era "paciência, resignação e obediência”; aos escravocratas se ensinava "moderação e benevolência” coisa que, de fato, pouco se praticava.
A escravidão foi internalizada na forma de discriminação e preconceito contra o negro que devia sempre servir. Pagar o salário é entendido por muitos ainda como uma caridade e não um dever, porque os escravos antes faziam tudo de graça e, imaginam que devem continuar assim. Pois desta forma se tratam, em muitos casos, os empregados e empregadas domésticas ou os peões de fazendas. Ouvi de um amigo da Bahia que escutou uma senhora, moradora de um condomínio de alta classe dizer:”os pobres já recebem a bolsa-família e além disso creem que têm direitos”. Eis a mentalidade da Casa Grande.
As consequências destas duas tradições estão no inconsciente coletivo brasileiro em termos, não tanto de conflito de classe (que também existe) mas antes de conflitos de status social. Diz-se que o negro é preguiçoso quando sabemos que foi ele quem construiu quase tudo que temos em nossas cidades. O nordestino é ignorante, porque vive no semi-árido sob pesados constrangimentos ambientais, quando é um povo altamente criativo, desperto e trabalhador. Do nordeste nos vêm grandes escritores, poetas, atores e atrizes. No Brasil de hoje é a região que mais cresce economicamente na ordem de 2-3%, portanto, acima da média nacional. Mas os preconceitos os castigam à inferioridade.
Todas essas contradições de nossa "cordialidade” apareceram nos twitters, facebooks e outras redes sociais. Somos seres contraditórios em demasia.
Acrescento ainda um argumento de ordem antropológico-filosófica para compreender a irrupção dos amores e ódios nesta campanha eleitoral. Trata-se da ambiguidade fontal da condição humana. Cada um possui a sua dimensão de luz e de sombra, de sim-bólica (que une) e de dia-bólica (que divide). Os modernos falam que somos simultaneamente dementes e sapientes (Morin), quer dizer, pessoas de racionalidade e bondade e ao mesmo tempo de irraconalidade e maldade. A tradição cristã fala que somos simultaneamente santos e pecadores. Na feliz expressão de Santo Agostinho: cada um é Adão, cada um é Cristo, vale dizer, cada um é cheio de limitações e vícios e ao mesmo tempo é portador de virtudes e de uma dimensão divina. Esta situação não é um defeito mas uma característica da condition humaine. Cada um deve saber equilibrar estas duas forças e na melhor das hipóteses, dar primazia às dimensões de luz sobre as de sombras, as de Cristo sobre as do velho Adão.
Nestes meses de campanha eleitoral se mostrou quem somos por dentro, "cordiais” mas no duplo sentido: cheios de raiva e de indignação e ao mesmo tempo de exaltação positiva e de militância séria e auto-controlada.
Não devemos nem rir nem chorar, mas procurar entender. Mas não é suficiente entender; urge buscar formas civilizadas da "cordialidade” na qual predomine a vontade de cooperação em vista do bem comum, se respeite o legítimo espaço de uma oposição inteligente e se acolham as diferentes opções políticas. O Brasil precisa se unir para que todos juntos enfrentemos os graves problemas internos e externos (guerras de grande devastação e a grave crise no sistema-Terra e no sistema-vida), num projeto por todos assumido para que se crie o que se chamou de o Brasil como a "Terra da boa Esperança ”(Ignacy Sachs).
http://leonardoboff.wordpress.com/2014/10/31/quao-cordial-e-o-povo-brasileiro/

Leonardo Boff

O lugar comum do preconceito em tempos de eleições

Nesta semana vamos viver uma ressaca eleitoral. Os comentários e análises já estão aí para comprovar. E como tem sido desde o momento que o PT chegou à presidência da república pela primeira vez, um dos traços dessa ressaca é o preconceito de alguns. Pela lógica de quem navega soberano e tranquilo no mar do preconceito, votar no PT é sinônimo de ignorância, falta de informação, falta de ética e ter tido o azar de nascer no norte ou nordeste, terras que têm no DNA a herança maldita da pobreza e da burrice.
( ... )
Os motivos alegados e que dão fundamento ao preconceito são:
Gente sem informação e educação vota no PT. Esquecem os armados de preconceito que educação não existe só na formalidade das escolas e universidades. Educação e informação têm outras fontes. Muito nordestino bom de cordel faz de sua arte o suporte para tecer críticas, defender ideias e informar. Confundem também os preconceituosos, letramento com senso crítico. O que deveria muitas vezes andar de mãos dadas vive em geral no divórcio. As faculdades estão cheias de alunos que querem ser técnicos e que não suportam qualquer disciplina que leve à reflexão.
Vota no PT quem não acompanha a política. Outro equívoco. O pleito eleitoral com tanta gente discutindo e se posicionando sobre os motivos do voto não é critério para medir a participação política do povo. Podemos considerar a euforia dos últimos dias como um fenômeno à parte do natural desinteresse pela política. O comum é o grosso da população ter ojeriza a tudo que se refere à política e manter distância de movimentos sociais. Não querer pensar a política no Brasil é quase um problema cultural atávico. Os analistas políticos dos últimos dias, divulgadores de vídeos, panfletos, montagens, não são mais que especialistas de ocasião, assentados sobre construções da realidade elaboradas pelos grandes meios de comunicação.
O movimento das ruas não se refletiu nas urnas. Nesta afirmação acredita-se que os que foram para as ruas estavam lá de forma preferencial para tirar o PT do poder. Esquecem os formuladores da tese que o descontentamento era geral, que se recusava qualquer bandeira partidária, que o povo das ruas estava recusando a estrutura como um todo, e as reivindicações abarcavam problemas tão diversos quanto contraditórios, que a consciência daquelas concentrações heterogêneas é difícil de ser aferida. Os que estavam nas ruas podem ter votado tanto em Aécio como em Dilma pelos mesmos motivos, ou não votado em nenhum candidato.
O bolsa família é a principal fonte de votos do PT. Projeto repudiado por quem votou em Aécio e chamado de bolsa miséria é tido como responsável pela reeleição de Dilma. A equação simplista é que o medo de perder o benefício puxou votos para a candidata. Se fosse verdade, São Paulo teria votado mais em Dilma. Depois da Bahia, São Paulo é o Estado que mais recebe benefícios do programa, seguido por Pernambuco, Ceará, Minas Gerais e Maranhão (Ver quadro).


Outro fator importante para a análise é a distância porcentual entre Dilma e Aécio nos estados onde o tucano foi vencedor. Com a exceção de São Paulo, os índices não são acachapantes, o que permitiu a candidata ser eleita.
O povo preguiçoso prefere viver de esmolas. Não, o povo não prefere viver na miséria e de esmolas. A maior parte das pessoas não está disposta a viver só para comer do que vem de um programa de governo. As pessoas têm aspirações maiores do que simplesmente sobreviver. Um pouco mais de generosidade na forma de ler a realidade faria notar que em muitos casos a situação da fome no Brasil era grave e sem remediações imediatas. A fome não espera soluções de longo prazo. Dar pão aos famintos é parte de medidas que visam corrigir inicialmente o irremediável. A outra parte da solução vem com cotas, investimento na educação (acesso ao ensino ampliado nos últimos anos, fato inconteste) redução do desemprego (4,9%, a menor taxa desde setembro de 2002, de acordo com o IBGE). A correção de um país voltado por séculos para as classes abastadas não vem de uma hora para outra. Leva tempo e pede atenção para quem antes não foi atendido em suas necessidades. Para o país ser de todos são necessárias medidas que dão prioridade aos mais frágeis. Não se pode olvidar que a fome já foi uma das maiores chagas da nação, e ela se concentrava sobremaneira no nordeste.
A vitória de Dilma não é fruto de motivos fantasiosos e que levam a explicações que depreciam o outro. O cálculo para se votar levam em consideração os anseios, a realidade, os riscos e um complexo maior de sentimentos. Achar que só uma parte da população é capaz de fazer isso e a outra não, é puro autoengano. Acreditar também que o desejo de mudança estivesse só de um lado e que o outro votou pela permanência é delírio. Os de baixo viram algo mais que a bolsa família. Viram oportunidades serem criadas, salários em ascensão, crédito acessível e educação franqueada. Quem votou em Dilma votou para mudar mais e encontrou razões para creditar isso a ela e não a seu opositor.

Magno Marciete do Nascimento Oliveira

Padre, mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, doutorando pela mesma instituição e Professor na PUC- Minas

quinta-feira, 30 de outubro de 2014



Discurso do Papa Francisco participantes no Encontro Mundial de Movimentos Populares

(Old Sínodo Hall, 28 de outubro de 2014) 

Olá de novo, eu estou feliz por estar no meio de vós, bem, eu lhe contar um segredo, é a primeira vez que aqui embaixo, eu nunca tinha sido. Como eu disse, eu tenho grande alegria e dar-lhes uma recepção calorosa.

Obrigado por aceitar o convite para discutir muitos graves problemas sociais que o mundo enfrenta hoje, você que sofrem em primeira mão a desigualdade ea exclusão. Cardeal Turkson Obrigado pelo seu bem-vinda. Obrigado, Eminência por seu trabalho e as suas palavras.

Este encontro de Movimentos Populares é um sinal, é um grande sinal: eles chegaram a colocar na presença de Deus, a Igreja, vilas, uma realidade muitas vezes silenciada. Os pobres não apenas sofrem a injustiça, mas também lutar contra ela!

Não contente com promessas ilusórias, desculpas ou álibis. Nem eles estão esperando de braços cruzados a ajuda de ONGs, planos de previdência ou soluções que nunca chegam ou se eles vêm, eles vêm de modo que eles vão em uma direção ou insensível ou domesticado. Este é ambiente perigoso. Você sente que os pobres não esperam e querem ser atores, organizar, estudar, trabalhar, e exigente, especialmente prática que especial entre o sofrimento, os pobres, a solidariedade ea nossa civilização parece ter esquecido, ou, pelo menos, está ansioso para esquecer.

Solidariedade é uma palavra nem sempre como ele, eu diria que, por vezes, têm se tornado uma palavra ruim, você não pode dizer; mas é uma palavra muito mais do que alguns atos esporádicos de generosidade. Você pensar e agir em termos de comunidade, a prioridade de vida para todos na apropriação de bens por alguns. Combater também as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de mão de obra, terra e moradia, a negação dos direitos sociais e trabalhistas. Você enfrentar os efeitos destrutivos do Império do Dinheiro: deslocamento forçado, migração dolorosa, tráfico de seres humanos, drogas, guerra, violência e todas as realidades que muitos de vocês estão sofrendo e todos nós somos chamados a ser transformada. A solidariedade, entendida no seu sentido mais profundo, é uma maneira de fazer história e é isso que os movimentos populares.

Este jogo não responde a nossa ideologia. Você não trabalha com idéias, trabalhar com a realidade como eu mencionei e muitos outros me disseram ... eles têm os pés na lama e as mãos na carne. Eles cheiram distrito, aldeia, lutar! Queremos que a sua voz, em geral, pouco se ouviu falar é ouvido. Talvez porque chato, talvez porque o seu clamor desconfortável, talvez porque eles têm medo de mudar você procura, mas sem ele, sem realmente ir para as periferias, boas propostas e projetos que muitas vezes ouvimos em conferências internacionais permanecer no campo das idéias, é o meu projeto.

Você não pode enfrentar o escândalo da pobreza através da promoção de estratégias de contenção e tranquilidade que só os pobres se tornam criaturas domesticadas e inofensivos. Como é triste quando atrás de supostas obras altruístas, que reduz o outro a passividade, nega ou pior, negócios e ambições pessoais esconder Jesus diria hipócrita. Como bonito é, em vez de se mover quando vemos os povos, especialmente os seus membros e os jovens mais pobres. Então, sim, você sentir o vento da promessa que alimenta a ilusão de um mundo melhor. Aquele vento torna-se um vendaval de esperança. Esse é o meu desejo.

Este nosso encontro serve um desejo muito específico, algo que qualquer pai, qualquer mãe quer para seus filhos; um desejo que deve estar disponível para todos, mas infelizmente hoje vemos mais e mais longe do que a maioria: terra, moradia e trabalho. É estranho, mas se eu falar sobre isso para alguns é que o Papa é um comunista.

Não significa que o amor pelos pobres é o coração do Evangelho. Terra, moradia e trabalho, por isso que você está lutando, são direitos sagrados. Alegando isso não é incomum, é a doutrina social da Igreja. Vou morar um pouco sobre cada um deles, porque você escolheu como o slogan para esta reunião.

Terra. No início da criação, Deus criou o homem, guardião de seu trabalho, alegando que cultivar e proteger. Vejo que aqui há dezenas de agricultores, e felicito-los a manter a terra, para cultivá-lo e fazê-lo em comunidade. Eu me preocupo com a erradicação de muitos irmãos que são camponeses desenraizados, não pela guerra ou por desastres naturais. A grilagem, o desmatamento, a apropriação da água, agrotóxicos inadequados são alguns dos males que o homem arrancadas de sua terra natal. Esta separação dolorosa, que não é apenas física, mas espiritual e existencial, porque não há uma conexão com a terra que está colocando a comunidade rural e seu estilo de vida único notoriamente desagradável e até ameaçadas de extinção.

A outra dimensão do processo global e fome. Quando a especulação financeira afeta o preço dos alimentos tratá-los como mercadorias, milhões de pessoas sofrem e morrem de fome. Além disso toneladas de alimento são descartados. Este é um verdadeiro escândalo. A fome é criminosa, a comida é um direito inalienável. Eu sei que alguns de vocês estão chamando para a reforma agrária para resolver qualquer um desses problemas, e deixe-me dizer-lhe que, em certos países, e aqui cito o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, a reforma agrária "é também uma necessidade política, uma obrigação moralidade "(CSDC, 300).

Eu só não digo, está no Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Por favor, continuem com a luta pela dignidade da família rural, para a água, para a vida e para que todos possam beneficiar dos frutos da terra.

Em segundo lugar, techo. Eu disse e repito: uma casa para cada família. Nunca se esqueça de que Jesus nasceu em um estábulo porque não havia lugar de hospedagem, que sua família tiveram que deixar suas casas e fugir para o Egito, perseguido por Herodes. Hoje há tantas famílias sem-teto, ou porque nunca tiveram ou porque perderam por várias razões. Família e vida andam de mãos dadas. Mas também, um telhado, por estar em casa, tem uma dimensão comunitária eo bairro ... e é no bairro onde você começa a construir a grande família da humanidade, a partir do instante, da coexistência com os vizinhos. Hoje, vivemos em cidades enormes que é moderno, orgulhoso e até vaidoso. Cidades que oferecem inúmeros prazeres e bem-estar para alguns felizes ... mas o teto é negado a milhares de nossos vizinhos e irmãos, inclusive crianças, e são chamados de, elegantemente, "moradores de rua". É engraçado como no mundo de injustiça, eufemismos abundam. Não diga as palavras com a força e, na verdade, olhando para o eufemismo. Uma pessoa, uma pessoa segregada, uma pessoa à parte, uma pessoa que está sofrendo de pobreza, a fome, a pessoa na rua: palavra chique né? Você sempre olha lá fora, eu estou errado em alguns, mas no geral, atrás de um eufemismo é um crime.

Vivemos em cidades construir torres, shopping centers, imobiliário ... mas deixam uma parte de si nas margens, periferias. Como dói ouvir que os assentamentos pobres são marginalizados ou pior, eles estão a ser erradicada! São imagens cruéis de despejos forçados, os tratores de demolição, caixas de imagens tão semelhantes aos da guerra. E esta é hoje.

Você sabe que nos municípios onde muitos de vocês ao vivo permanecem valores esquecidos e centros fortificados. Os assentamentos são abençoados com uma rica cultura popular: o espaço público não é meramente um trânsito, mas uma extensão da casa, um lugar para construir laços com vizinhos si. Quão formosos são as cidades que ultrapassam a desconfiança doentia e integrar diferentes e fazer essa integração de um novo fator de desenvolvimento. Como bonitos são as cidades que, mesmo em seu projeto arquitetônico, são espaços que conectam cheios, interagir, favorecendo o reconhecimento dos outros. Portanto, nem a eliminação ou marginalização: Você tem que manter em linha com a integração urbana. Esta palavra deve se mover completamente erradicar a palavra, é claro, mas também os projetos que pretendem encobrir as favelas e periferias aprolijar maquiagem social, em vez de curar feridas, promovendo uma integração autêntica e respeitosa. É uma espécie de direito maquiagem arquitetônico? E é por esse lado. Vamos trabalhar para cada habitação tangan família e que todos os bairros têm infra-estrutura adequada (esgoto, eletricidade, gás, asfalto e manter escolas, hospitais ou salas de primeiros socorros, clube de esportes e todas as coisas que constroem vínculos e ligando, o acesso à saúde-que-ya disse que a educação ea posse de segurança.

Em terceiro lugar, do Trabalho. Não há maior pobreza material - pediu-me enfatizar isso, não há pobreza pior material, que não permite o seu pão e privados da dignidade do trabalho. Juventude desemprego, a informalidade ea falta de direitos trabalhistas não são inevitáveis, elas são o resultado de escolhas sociais antes, um sistema econômico que coloca o lucro acima do homem, se o benefício é barato, sobre a humanidade ou sobre o homem são efeitos de descartar uma cultura que considera o próprio ser humano como uma mercadoria, que pode ser usado e depois jogado fora.

Hoje, o fenômeno da exploração e opressão que acrescenta uma nova dimensão, uma nuance gráfico e difícil de injustiça social; que não podem ser integrados, os resíduos são excluídos "sobra". Esta é a cultura do descarte e gostaria de ampliar esse algo que eu escrevi, mas ocorre-me a lembrar agora. Isso acontece quando o centro de um sistema econômico é o deus do dinheiro e não o homem, a pessoa humana. Sim, o centro de qualquer sistema social ou econômico deve ser a pessoa, imagem de Deus, criado para ser o denominador do universo. Quando a pessoa se desloca e é o deus do dinheiro indo estes valores trastocación.

E, para mostrar, eu me lembro de um ensino por volta de 1200. Um rabino judeu explicou aos seus paroquianos a história da Torre de Babel e, em seguida, contou como a construção da torre de Babel, teve que fazer muito esforço que você teve para fazer tijolos para fazer tijolos tinha que fazer a lama e trazer palha e amassar o barro com palha, corte em quadrados, em seguida, torná-lo seco, em seguida, cozinhá-lo, e quando eles foram preparados e frio, enviá-los, a fim de construir a torre.

Se um tijolo caindo, o tijolo era muito caro, com todo esse trabalho, se um tijolo caiu era quase uma tragédia nacional. Quando ele caiu punidos ou suspensos ou que não o conhecia, e se um trabalhador caiu nada aconteceu. Isto é, quando a pessoa está a serviço de Deus e esse dinheiro tinha um rabino judeu em 1200 explicando essas coisas horríveis.

E a respeito da disposição tem que ser um pouco atento ao que está acontecendo em nossa sociedade. Estou repetindo coisas que eu disse e estão em Evangelii Gaudium. Hoje, as crianças são descartados porque a taxa de natalidade em muitos países do mundo diminuiu ou as crianças são descartados porque eles não têm poder ou eles são mortos antes de nascer, descartando as crianças.

Os idosos são descartados, porque, bem, não adianta, produzir, ou produzir crianças ou idosos, sistemas em seguida, mais ou menos sofisticados lentamente vai abandoná-los, e agora, como é necessário nesta crise recuperar algum equilíbrio, estamos testemunhando um terceiro empate doloroso, descartando juventude. Milhões de jovens, não me refiro a figura, porque eles não sabem exatamente e eu li, parece um pouco exagerado, mas milhões de trabalho com jovens descartado, desempregados.

Nos países europeus, e se essas estatísticas são muito claras, aqui na Itália, passou um pouco de 40% de jovens desempregados; você sabe o que significa 40% da juventude, uma geração, um anel de geração para o equilíbrio. Em outro país europeu que vai de 50% no mesmo país e 50% no Sul, 60%, são, figuras de ossos de descarte claras. Dropping crianças, descarte de idade, eles não produzem, e nós temos que sacrificar uma geração de jovens, descartando os jovens a manter e reequilibrar um sistema em que o centro é o deus do dinheiro, e não o indivíduo.

Apesar disso, descartar essa cultura, essa cultura do excesso, por isso muitos de vocês, excluindo, por este sistema os trabalhadores excedentes estavam inventando o seu próprio trabalho com qualquer coisa que parecia dar mais de si mesmo ... mas você, com seu artesanato, Deus lhes deu ... a busca, a sua solidariedade para com o seu trabalho comunitário, com sua economia popular, têm alcançado e estamos conseguindo isso .... E deixe-me dizer-lhe, que, além de trabalhar É poesia. Obrigado.

Naturalmente, todos os trabalhadores, seja ou não no sistema formal de trabalho assalariado, o direito a um salário digno, segurança social e uma cobertura de aposentadoria. Aqui são lixo, catadores de lixo, vendedores ambulantes, alfaiates, artesãos, pescadores, agricultores, construtores, mineiros, trabalhadores recuperado empresas, todos os tipos de cooperativas e comércios populares trabalhadores estão excluídos dos direitos trabalhistas, que são negados a possibilidade de sindicatos, que não têm renda suficiente e estável. Hoje eu quero juntar a minha voz ao deles e apoiá-los em sua luta.

Neste encontro, eles também falaram sobre Paz e Ecologia. Ergue-se a razão: você não pode ter terra, não pode haver limite, não pode haver paz se não trabalhar e se destruirmos o planeta. Eles são tão importantes que os povos e suas organizações de base não pode parar de debater questões. Eles não podem ser deixados sozinhos nas mãos de líderes políticos. Todos os povos da terra, todos os homens e mulheres de boa vontade, temos de falar em defesa desses dois presentes preciosos: a paz ea natureza. A mãe telefonou para a irmã terra como São Francisco de Assis.

Recentemente eu disse, e repito, que estamos vivendo a terceira guerra mundial, mas em parcelas. Existem sistemas econômicos devem fazer para sobreviver à guerra. Então faça e armas e com isso saldos de poupança que matam o homem aos pés do ídolo do dinheiro que vendem, obviamente, permanecem sólidos. E não pense sobre a fome em campos de refugiados crianças, não pensar em deslocamento forçado, não acha das casas destruídas, não acho que, é claro, em tantas vidas interrompida. Que sofrimento e destruição, quanta dor. Hoje, queridos irmãos e irmãs, se eleva em todas as partes da terra, em cada cidade, em cada coração e em movimentos populares, o grito para a paz: Não mais guerra!

Um sistema econômico centrado em Deus também precisa de dinheiro saqueando natureza, pilhagem da natureza para sustentar o ritmo frenético de consumo é inerente. As alterações climáticas, perda de biodiversidade, o desmatamento já estão mostrando os efeitos devastadores dos grandes cataclismos que vemos, e quanto mais você sofre, os pobres são aqueles que vivem perto da costa ou em barracos que são tão economicamente vulneráveis ​​para lidar com um desastre natural perder tudo. Irmãos e Irmãs, a criação não é uma propriedade, o que temos ao nosso gosto; longe disso, é uma propriedade apenas de alguns poucos: a criação é um dom é um dom, um dom maravilhoso que Deus deu para nós para cuidar dela e podemos usá-lo para o benefício de todos, sempre com respeito e gratidão . Você pode saber que eu estou preparando uma encíclica sobre Ecologia: a certeza de que suas preocupações vão estar presentes nele. Agradeço-lhe, Senhor, para agradecer-lhes, a carta me fez chegar a integrantes da Via Campesina, Federação Cartoneros e muitos outros irmãos sobre o assunto.

Falamos sobre a terra, trabalho, sobrecarga ... falar sobre como trabalhar pela paz e cuidar da natureza ... Mas por que, em vez estamos habituados a ver como o trabalho decente é destruído, muitas famílias são despejadas , os camponeses são expulsos, fazer a guerra ea natureza abusado? Porque este sistema trouxe para o homem, a pessoa humana, o coração eo substituiu por outra coisa. Para um culto idólatra do dinheiro é pago. ! Porque foi globalizado indiferença, se globalizou indiferença: a mí¿qué me importa o que acontece com os outros, enquanto eu defendo o meu? Porque o mundo se esqueceu de Deus, que é Pai; tornou-se um órfão porque ele deixou Deus de fora.

Alguns de vocês expressa esse sistema não se sustenta mais. Temos que mudar, temos de voltar a tirar a dignidade humana no centro da coluna e as estruturas sociais alternativas que precisam ser construídas. Devemos fazê-lo com coragem, mas também com inteligência. Com tenacidade, mas sem fanatismo. Com paixão, mas sem violência. E juntos, enfrentando conflitos sem se envolver neles, buscando sempre resolver as tensões para alcançar um plano superior de unidade, paz e justiça. Os cristãos têm um muito bonito, um guia para a ação, um programa pode-se dizer, revolucionário. Nós aconselhamos que você lê-lo, ler as bem-aventuranças estão no capítulo 5 de Mateus e Lucas 6, (cfr. Mt 5, 3 e Lc 6, 20) e ler a passagem em Mateus 25. O disse o jovem, no Rio de Janeiro, com essas duas coisas é o programa de acção.

Eu sei que há entre vocês, pessoas de diferentes religiões, artesanato, idéias, culturas, países, continentes. Hoje eles estão praticando a cultura do jogo aqui, tão diferente da xenofobia, discriminação e intolerância que vemos com tanta freqüência. Entre os excluídos deste encontro de culturas em que o conjunto não se sobrepõe ao particular é dada, o conjunto não substitui particularidade. Então eu gosto da imagem do poliedro, uma figura geométrica com muitos rostos diferentes. O poliedro reflete a confluência de todos os preconceitos que retêm originalidade. Nada se dissolve, nada se perde, nada é dominado, tudo se integra, tudo está integrado. Hoje eles também estão procurando que a síntese entre o local eo global. Seja que trabalham dia após dia no próximo, em particular, no seu território, seu bairro, seu local de trabalho: o também convidamos você a continuar buscando essa perspectiva mais ampla, os nossos sonhos voam alto e abrangendo todo.

Assim, parece-nos importante que a proposta que compartilhei alguns desses movimentos, essas experiências de crescimento de solidariedade a partir de baixo, a partir do subsolo do planeta, venha junto, mais coordenada, eles são encontrados, como você tem feito nestes dias. Atenção nunca é bom movimento constrição em estruturas rígidas, então eu disse para atender, muito menos é bom para tentar absorver direta ou dominar; Livre circulação tem sua própria dinâmica, mas devemos tentar caminhar juntos. Estamos neste quarto, que é o salão do antigo Sínodo, há agora um novo, e sínodo significa apenas "caminhar juntos": é um símbolo do processo que você iniciou e estão a decorrer.

Os movimentos populares expressaram a necessidade urgente de revitalizar a nossa democracia, tantas vezes invadida por muitos fatores. É impossível imaginar uma sociedade futura sem a participação ativa da maioria e que o papel além de procedimentos lógicos da democracia formal. A perspectiva de um mundo de paz duradoura e da justiça demanda que nós superamos abrangendo o bem-estar nos obriga a criar novas formas de participação, incluindo anime movimentos populares e as estruturas de governo local, nacional e internacional que torrente de energia moral que surge a partir a incorporação dos excluídos na construção de destino comum. E isso de forma construtiva, sem ressentimento, com amor.

Coração Eu os acompanhou nesse caminho. Vamos juntos com o coração: Não desabrigados família, não há camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, sem dignidade, qualquer pessoa que dá o trabalho.

Queridos irmãos e irmãs continuam a sua luta, tudo o que fazemos bem. É uma bênção para a humanidade. Deixo lembrança, presente e minha bênção, rosários artesãos que manufaturados, catadores e trabalhadores da economia nacional na América Latina.

E este apoio eu orar por você, orar com você e peço a Deus, nosso Pai, para acompanhar e abençoar você enchê-los com o seu amor e acompanhá-los na estrada generosamente dando-lhes a força que nos faz continuar: que a força é esperança, a esperança que não desilude, obrigado.

Francisco

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

É PARA REFLETIR


Ilusões de um povo...

Até quando ficaremos nas ilusões, ou nas más intenções? Pessoas sensatas sabem sobejamente que o candidato do PSDB é apenas verniz, em tudo o que diz e propaga. Basta conhecer um pouquinho só da nossa história política...
Problemas e defeitos encontramos em todas as pessoas, instituições, clubes, Igrejas, associações e partidos políticos... Mas todos sabem, ou deveriam saber que o governo de FHC fez o que fez, conhecido como privataria tucana; roubos bilionários, salário mínimo baixíssimo, desemprego alarmante, havia até advogados e engenheiros nas filas disputando as poucas vagas para garis. Inflação altíssima, os bancos lucrando como nunca, enfim o Brasil foi colocado de joelhos diante dos EUA e seus fortes aliados. O Lula nos colocou de pé! Os títulos de "doutor honoris causa” por ele recebidos estão aí para confirmar.
Os escândalos financeiros do PSDB foram muitos e astronômicos, porém tudo foi engavetado, pois o STF, e os grandes meios de comunicação estavam, e estão, sempre do lado dessa direita fascista e golpista (vide anexo). O PSDB com seus aliados não estão nem aí para saúde, educação, moradia, vida digna para o povo, especialmente os excluídos.
O Brasil jamais viu avanços nos seus 500 anos de história, como nos governos de Lula e Dilma (vide anexo). E a ONU declarou o Brasil, pela primeira vez, há poucos dias, fora do mapa da fome. Só os mal intencionados não percebem esses grandes avanços, em todas as áreas da sociedade brasileira, apesar de ter muito por fazer, e sempre terá.
Minha única e exclusiva preocupação é com o povão; tenho certeza, infelizmente, que se Aécio chegar lá, será a retomada do entreguismo: Petrobras, pré-sal, bancos públicos, desprezo das políticas públicas, desemprego voltando, inflação disparando e povão pagando o pato, para eles continuarem a se locupletar e novamente se aliar aos EUA entregando o que temos de riqueza natural. Consciência eles não têm, por isso o remorso passará bem longe deles. Mandem de volta para seus países de origem os médicos que aqui chegaram com o programa +médicos, e quero ver se os médicos brasileiros irão para os rincões mais remotos, ou mesmo para as periferias mais pobres deste país. Alguns alegam que ganham pouco, que faltam instrumentos, etc; mas por que FHC não resolveu o problema da saúde antes de entregar nossas riquezas para alguns poderosos, e abastecer suas contas nos paraísos fiscais? E a classe média acha isso tudo muito bom... Infelizmente é da natureza das toupeiras serem parcial ou totalmente cegas! Fato é que Dilma já fez bastante pela saúde, e o projeto é dos melhores, com a ajuda dos royalties do pré- sal, em favor da saúde e da educação.
Tenho certeza de que desde o início do governo Lula, a direita tentou derrubá-lo, desmoralizando o governo petista, com toda sorte de armações, as mais diabólicas, mirabolantes e sórdidas. A elite nunca aceitou perder o poder, muito menos para um operário. E a grande mídia (PIG) faz passar todas essas mentiras como se fossem verdades, e os "incautos ficam indignados” (santa ingenuidade, ou venenosa maldade), sem mesmo buscarem elementos para refletir seriamente. Eu sempre acompanhei tudo muito bem! Não suporto tansisse, assim busco informações em fontes fidedignas. A filósofa Marilena Chauí tem razão em declarar a obtusidade absoluta, especialmente, da classe média. Esta classe juntamente com outra, não aceita que pobres possam usar os mesmos perfumes importados, viajar nos mesmos aviões, e comprar nas mesmas lojas; não preciso ir longe, vejo esta estultice anacrônica aqui na "minha” cidade...
Alguém poderia alegar que mesmo estudando muito, é de direita, eu respondo como o grande Victor Hugo: "algumas pessoas pagariam para se venderem”! A direita fascista golpista dá muita risada dos seus eleitores. Dizem: como é fácil convencer os eleitores deste país! Voltemos a nos refestelar entregando as nossas riquezas naturais, e com os impostos provenientes do povo, e vez ou outra lhes daremos umas esmolas... Outro problema sério: é sabido que a direita foi, é, e sempre será aliada da ditadura que persegue, prende, tortura, mata, e faz os cadáveres desaparecerem. Pior ainda, o vice do Aécio foi aliado da ditadura e a defende sempre!(vide anexo).
O governo do PT deixou de fazer algo importante? Sim! Poderia ter começado o processo de declaração de nulidade da entrega da Vale do Rio Doce com nossas riquezas minerais, a preço de banana, pelo FHC, uma das empresas mais ricas do mundo. E assim teríamos mais dinheiro para a saúde e educação. Não sei se iria conseguir o intento, pois a justiça normalmente é injusta, e a maioria dos ministros do STF é de direita, ou seja, não estão nem aí para os problemas do povo. Poderia ter feito a reforma agrária e urbana, ter taxado as grandes fortunas; democratizado os meios de comunicação para que os poucos detentores de hoje deixem de distorcer, mentir e manipular o povo... Mas tem um grande mérito, entre tantos outros, apurar as irregularidades no uso da verba pública, não engavetando nada, como era costume na era anterior ao governo petista.
Outro questionamento sério que devemos fazer: Por que o Aécio construiu os aeroportos particulares, com dinheiro público, e os mesmos ficam trancados? Você já se perguntou sobre isto? Fico pensando: não seria para tráfico de drogas, que causam tantas desgraças, mortes e violência, especialmente aos nossos jovens? Para que outro motivo faria isso? Você se lembra daquele helicóptero que foi pego com quase 500 quilos de cocaína? Era de gente próxima a ele. E por que não se falou mais nisso? Se fosse 1 quilo só, com alguém do PT, estariam falando até hoje, especialmente a Globo e Veja.
O FHC disse que os eleitores de Dilma são pessoas desinformadas dos grotões. Eu tenho certeza que os eleitores do PSDB é que são desinformados, não conhecem nada da nossa história; aliás, o grau de ignorância dos eleitores de FHC e Aécio é tão alarmante que supera até as expectativas das "pesquisas” da GLOBO, VEJA e CIA... Desconhecem totalmente as roubalheiras bilionárias da direita fascista e golpista, ou são coniventes... Portanto, nunca vote na direita, pois é colocar a raposa para cuidar do aviário!
Não sou dono da verdade, mas receba um fraterno abraço de quem tem mente e olhos bem abertos para saber claramente onde estão as verdades e as mentiras, em todos os espaços, sejam eles públicos ou privados, no meu e no seu também...
Se quiser acreditar, acredite; se quiser continuar na obscuridade, fique à vontade! Porém seria muito interessante que todos (as) buscássemos conhecer a verdadeira história deste país, em fontes que não sejam as dos grandes meios de comunicação que aí estão para emburrecer o povo, e com isso continuar lucrando com suas mentiras com caras de verdades. Não sou candidato a cargos, mas a colaborar para que o povo tenha vida com dignidade! Isso faz 500 anos que a direita já provou que não dá! Cada um (a) analise a realidade de acordo com a quantidade de neurônios que tem... Fique com Deus! Ou fique com a globo, veja, época e cia... Dê uma olhada no link abaixo!
Dom Luiz
http://plantaobrasil.com.br/news.asp?nID=82174
dom-eccel@provinet.com.br
Dom Luiz C. Eccel
Bispo Diocesano de Caçador-SC
 l

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

De: NADJA URT ALMEIDA <nadjaurt@gmail.com>
Data: 22 de outubro de 2014 11:00
Assunto: Depoimento de um jovem médico
Para: NADJA URT ALMEIDA <nadjaurt@gmail.com>


arabéns!!!!!!!!!!
Olá, gostaria de dar meu depoimento de apoio à campanha, como uma carta direcionada à presidenta
"Presidenta Dilma,
Não nasci pobre nem negro. Não cresci em meio à fome e à incerteza. Não precisei conciliar escola com trabalho, nunca tive que temer meu futuro. Nasci e cresci protegido: branco, classe média, filho de pais empregados, concursados. Tive bom estudo, tive tudo o que precisei pra chegar onde cheguei. Aprendi com meus pais que isso tudo foi fruto de trabalho e esforço, mas sobretudo aprendi que foi fruto de OPORTUNIDADE. Aos meus pais foi dada a oportunidade do estudo, do emprego, da realização social. A mim, a oportunidade de cursar medicina em uma universidade federal de qualidade.
O que me motiva a escrever aqui é a certeza de que, nos últimos 12 anos, o Brasil se tornou um país de OPORTUNIDADES: hoje o negro pode chegar ao ensino superior, o pobre tem a certeza do trabalho com carteira assinada, a mãe sabe que seu filho não vai mais passar fome. Hoje a saúde chegou onde nunca esteve, a carteira de vacinação está completa e a gestante está fazendo pré-natal. Hoje o salário mínimo vale mais, a economia está mais forte e o Ministério Público tem a oportunidade de investigar a corrupção.
Hoje, o Brasil é muito mais um país de todos.
Por acreditar na redução da desigualdade que a sua administração alcançou (e por muito mais), presidenta, eu confio no seu governo de oportunidades.
Sou médico. Sou jovem. Sou gaúcho. Quero mais mudanças.
Sou ‪#‎Dilma13‬"
Lucas Doleys Cardoso

MTC Brasil:  -  GRUPO MARIA DAS CORES -...

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sábado, 11 de outubro de 2014

As eleições à luz da história antipovo

Fonte: Adital, 08/10/14
Nada melhor do que ler as atuais eleições à luz da história brasileira na tensão entre as elites e o povo. Valho-me duma contribuição de um sério historiador com formação em Roma, em Lovaina e na USP de São Paulo o Pe. José Oscar Beozzo, uma das inteligências mais brilhantes de nosso clero.
Diz Beozzo: "a questão de fundo em nossa sociedade é a do direito dos pequenos à vida sempre ameaçada pela abissal desigualdade de acesso aos meios de vida e pelas exíguas oportunidades abertas às grandes maiorias do andar debaixo”.
Como nos ensina Caio Prado Júnior, nossa formação social desigual repousa sobre quatro pilares difíceis de serem movidos: a) a grande propriedade da terra concentrada nas mãos de poucos, de tal modo que não haja terra "livre” e "disponível” para quem trabalha ou para os que eram seus donos originários, os povos indígenas; b) o predomínio da monocultura; c) a produção voltada para o mercado externo (açúcar, tabaco, algodão, café, cacau e hoje soja); d) o regime de trabalho escravo.
A independência de Portugal não alterou nenhum desses pilares. Os que naquela época sonharam com um Brasil diferente, propunham a troca da grande pela pequena propriedade nas mãos de quem trabalhava; da monocultura para a policultura; da produção para o mercado internacional por outra voltada para o autoconsumo e para o abastecimento do mercado interno; do trabalho escravo pelo trabalho familiar livre. Isso pôde acontecer em pequenas regiões periféricas às monoculturas tropicais, na serra gaúcha e catarinense, com colonos alemães, italianos, poloneses, numa propriedade mais democratizada.
Houve geral oposição dos grandes proprietários escravistas a qualquer dessas medidas e foram dizimados a ferro e fogo levantes populares que apontavam para qualquer medida democratizante na economia, na política e sobretudo nas relações de trabalho. Basta rememorar algumas dessas revoltas: a insurreição dos escravos Malês na Bahia, a Balaiada no Maranhão, a Cabanagem na Amazônia, a revolução Praieira em Pernambuco, a Farroupilha no Sul.
A revolução de 30, com seu viés nacionalista, mesmo que parcialmente, deslocou o eixo do país do mercado externo para o interno; do modelo agrário exportador para o de substituição de importações; do domínio das elites exportadoras do café do pacto Minas/São Paulo, para novas lideranças das zonas de produção para o mercado interno, como as do arroz e charque do Rio Grande do Sul; do voto censitário, para o voto "universal” (menos para os analfabetos, naquela época ainda maioria entre os adultos), do voto exclusivamente masculino para o voto feminino; das relações de trabalho ditadas apenas pelo poder dos patrões para a sua regulação, pelo menos na esfera industrial, com a criação do Ministério do Trabalho e das leis trabalhistas voltadas para a classe operária. Não se conseguiu tocar o domínio incontornável dos proprietários de terra na regulação do trabalho dentro de suas propriedades, o que vai acontecer só depois de 1964, com o Estatuto do Trabalhador Rural.
Getúlio implantou uma política corporativista de apaziguamento entre as classes e de "cooperação” entre capital e trabalho, entre operários e os capitães da indústria em torno de um projeto de industrialização e defesa dos interesses nacionais.
Nesta campanha eleitoral certos meios de comunicação criaram o motto: "Fora PT”. Busca-se acabar com a "ditadura” do PT para instaurar a "ditadura do mercado financeiro”. O que realmente incomoda? A corrupção e o mensalão?
A meu ver, o que incomoda, em que pesem todos seus limites, são as medidas democratizantes como o Pro-Uni, as cotas nas universidades para os estudantes vindos da escola pública e não dos colégios particulares; as cotas para aqueles cujos avós vieram dos porões da escravidão; a reforma agrária, ainda que muito aquém de tudo o que seria necessário; a demarcação e homologação em área contínua da terra Yanomami contra meia dúzia de arrozeiros apoiados pelo coro unânime dos latifundiários e do agronegócio, assim como todos os programas sociais do Bolsa Família, ao Luz para Todos, ao Minha Casa, minha Vida, ao Mais Médicos e daí para frente.
Nunca incomodou a estes críticos que o Estado pagasse o estudo de jovens estudantes de famílias ricas que deram a seus filhos boa educação em escolas particulares, o que lhes franqueou o acesso ao ensino gratuito nas universidades públicas aprofundando a desigualdade de oportunidades. Esse estudo custa mensalmente ao Estado nos cursos de Medicina de seis a sete mil reais. Nunca protestaram essas famílias contra essa "bolsa-esmola” dada aos ricos, e que é vista como "direito” devido a seus méritos e não como puro e escandaloso privilégio. São os mesmos que se recusam a ser médicos nos interiores e nas periferias que não dispõem de um médico sequer.
Os que sobem o tom dizendo que tudo no país está errado, em que pese a melhoria do salário mínimo, a criação de milhões de empregos, a ampliação das políticas sociais em direção aos mais pobres, a criação do Mais-Médicos, posicionam-se contra as políticas do PT que visam a assegurar direitos cidadãos, ampliar a democratização da sociedade, combater privilégios e sobretudo colocar um pouco de freio (insuficiente a meu ver) à ganância e à ditadura do capital financeiro e do "mercado”.
É esta a razão do meu voto para outro projeto de país, que atende às demandas sempre negadas às grandes maiorias. É por isso, que votei Dilma no primeiro turno e o farei no segundo, respeitando outras escolhas. Associo-me a esta interpretação, também no voto à Dilma Rousseff.