quinta-feira, 21 de abril de 2016

21 DE ABRIL UM SÍMBOLO

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                                           Em tempos de inconfidências e golpes  

  Marcelo Barros
                                                                                           
  A cada 21 de abril, o Brasil para em memória dos homens e mulheres que, no século XVIII, fizeram a Inconfidência Mineira para libertar o país do império português. Até hoje, continuamos a ter de vencer novas formas de colonialismo que tentam dominar o Brasil e toda a América Latina. Mais do que nunca, é preciso lutar por uma verdadeira “liberdade ainda que tardia”.
Nesses dias, o Brasil parou no domingo anterior ao dia 21. Nesse dia, o Congresso Nacional foi transformado em picadeiro de circo romano. Ali, a democracia constitucional foi atirada aos leões. Feras humanas deram ao mundo o triste espetáculo de marionetes que se orgulham de ser manobradas por forças mais ou menos ocultas que os financiam. Ali, os brasileiros viram o espetáculo não da inconfidência pela liberdade, mas de um golpe, a favor do Império e dos interesses mesquinhos de uma elite que nunca aceitou perder seus privilégios. 
Atualmente, o império é outro e as condições sociais e políticas do continente são diferentes das que vivíamos no século XVIII. Entretanto, a cada momento, a independência social e política nossa, assim como a de todos os países-irmãos da América Latina, conquistada depois de tantas luta e sangue, está em perigo. Na América Latina, o governo dos Estados Unidos tem como prioridade retomar uma hegemonia na região, através do controle do comércio, perdido no início dos anos 2000. Em pleno século XXI, as embaixadas norte-americanas em nossos países continuam a financiar golpes de Estado e suscitar a desestabilização social e política em nossos países. O governo norte-americano financiou o golpe militar em Honduras, (2009) e no Paraguai (2012). Financia a oposição ao governo bolivariano da Venezuela e faz de tudo para destruir o caminho iniciado pelos governos da Bolívia e Equador. Agora, a presidente Dilma está sendo vítima desse golpe parlamentar. No domingo, ela foi condenada não pelos eventuais defeitos do seu governo e do seu estilo pessoal, mas exatamente pelo compromisso social do governo com os movimentos sociais e porque, embora com algumas contradições, representa uma iniciativa nova de independência brasileira e latino-americana frente ao Império.
O sociólogo Paulo Canabrava Filho escreve: “Junto com Chile, Colômbia, México, Costa Rica e Panamá, o Peru assinou a “Aliança do Pacífico”, acordo de cooperação política, militar e de inteligência, assim como de livre comércio com os Estados Unidos. E o governo norte-americano já instalou 12 bases miliares em território peruano, com o pretexto de combate ao narcotráfico. O número de marines desembarcados (ou invasores?) pode chegar a dez o doze mil” (Revista Diálogos do Sul, março 2016). No Equador, o presidente Rafael Correia declarou que o seu país está totalmente aberto a que os Estados Unidos instalem bases militares no Equador, desde que o governo norte-americano também permita ao Equador instalar bases militares suas em território norte-americano.
Do mesmo modo, nos dias turbulentos que vive o Brasil, é preciso ver o que está por trás de tudo isso que está acontecendo. O mais importante de tudo não é a luta contra a corrupção, já que muitos dos que a lideram estão mais do que envolvidos na mesma corrupção que fingem combater. A própria questão do impedimento da presidente também não é a meta final que almejam. Por trás de toda essa luta para criar o caos no Brasil, o projeto é impor outra política econômica e social. Trata-se de mudar as leis trabalhistas, em prejuízo dos assalariados, principalmente, revogar a política de valorização do salário mínimo; implantar a terceirização irrestrita da mão-de-obra, entregar as reservas de petróleo do pré-sal às empresas transnacionais, privatizar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Introduzir o ensino pago nas universidades federais, primeiro passo para a privatização. Além disso, o governo do golpe deve dar sinal verde ao agronegócio para expulsar os índios de suas terras. Acima de tudo, precisa eliminar a política externa independente e retomar o papel que o Brasil tinha antes de serviçal dos Estados Unidos. É isso que está em jogo e muitos brasileiros não querem ver.

Quem crê em Deus sabe que ele sempre vê a realidade a partir dos mais empobrecidos e carentes. Na Inconfidência Mineira, havia padres e religiosos envolvidos na luta. Nessa luta atual, como cidadãos, defendemos a Constituição e o Estado de Direito. No entanto, quem é cristão é chamado a ir além disso. Tem de formar com os movimentos sociais e lutar pacificamente por uma justiça que vai além da justiça dos homens. Nessa mesma semana de Tiradentes, celebramos os 20 anos do massacre dos lavradores sem-terra em Eldorado de Carajás. Nesse 19 de abril, celebramos o dia latino-americano do índio, até hoje, vítima desse modelo de desenvolvimento elitista e sem coração. Ao defender os interesses dos pequeninos e lutar por um governo a serviço dos mais empobrecidos, nos colocamos do lado de Jesus que se identifica com os pequeninos e as vítimas desse modelo de desenvolvimento que nos domina. Esse é o lado no qual devemos estar todos nós.



terça-feira, 19 de abril de 2016

Jorge Ben Jor - Curumim Chama Cunhatã Que (Todo dia era dia de índio)

19 de ABRIL DO " ÍNDIO "

        Na América Latina, o 19 de abril é considerado "o dia do índio".  Tom Jobin cantava que todo dia deveria ser "dia de índio". Como não é assim, é importante que a sociedade tenha um dia para lembrar desses irmãos e irmãs que continuam sendo considerados como cidadãos de menos direitos do que os outros ou até mesmo considerados não cidadãos. 
           Sempre me impressiono muito quando vejo, mesmo em nossos ambientes de esquerda, como há pouca sensibilidade com relação à causa indígena. Os governos do PT que assumiram o Brasil desde 2003 mal cumpriram a Constituição e o governo Dilma nem isso fez... Muitos povos indígenas continuam sendo massacrados e o agro-negócio invadindo suas terras e escravizando os índios que podem... 
              Lembro-me quando nos anos 70, Dom Pedro Casaldáliga escreveu "O Verbo de Deus se fez índio". Ainda hoje, nós cristãos temos dificuldade de reconhecer isso e de adorar a presença de Jesus nas pessoas e nas lutas justas dos povos indígenas.  


Publié par Marcelo Barros às 12:06 http://img1.blogblog.com/img/icon18_email.gif